2.3.10

E eles levantaram-se e andaram

Converti-me. Questionei, duvidei, resisti mas vi a luz. Jesus é o meu profeta.

Para além de ser um treinador que assume a táctica como algo flexível e determinante e que domina o futebolês (mesmo espancando dramaticamente a gramática) em absoluto, Jesus tem aquela qualidade que distingue os treinadores com sorte dos treinadores com arte: melhora os jogadores.

É uma qualidade rara e pouco notada, se não pouco apreciada, e que se sustenta em adorar futebol e, consequentemente, em adorar bons jogadores.

Por exemplo, Paulo Bento nunca será um grande treinador. Porque detesta bons jogadores e apenas suporta jogadores domesticados. Por isso, queimou jogadores de estimável potencial, como Vucevic, Veloso e até Moutinho, porque não teve, e não tem, arte para os melhorar, refugiando-se num papel de professor primário que não é capaz de incutir na sua aula o mínimo gosto por aprender, limitando-se a impingir meia dúzia de lições a decorar, encostando os alunos que torcem o nariz a um canto, com orelhas de burro.
Grandes treinadores transformam pedras em pão. Mourinho agarrou em jogadores com bilhetes só de ida para a banalidade e transformou-os, nem que fosse apenas em alguns momentos, em bons, grandes ou mesmo excepcionais jogadores. Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Maniche, Joe Cole, Drogba, são alguns desses. Eriksson, anos antes, fez isso com Stromberg, Carlos Manuel ou o fdp.

E Jesus, em apenas alguns meses, já o fez, com, por exemplo, Coentrão, David Luiz, Di Maria e até o Saviola.

Fazer isto, repito, implica gostar muito de futebol e de bons jogadores. E há muitos, muitos anos que não gostávamos tanto dos nossos jogadores e do nosso futebol.
E isto é mérito, em absoluto, do nosso profeta.

Amén.

Leixões, 0 - SLB, 4



1 comentário:

A.Tapadinhas disse...

Ámen!

Abraço,
António