
6.7.09
A angústia do accionista minoritário

26.6.09
Uma substanciação, vá só umazinha
Todos falam de como o Rui Costa foi (é) um mau Director Desportivo. Ainda não ouvi uma justificação para essa afirmação, para além da demagogia da do treinador, que na altura foi visto como um sucesso.Foi o primeiro plantel equilibrado em muitos, muitos anos; e foi graças a ele, não tenhamos ilusões, que jogadores como o Aimar, Reyes ou Suazo (apesar de - não - ter feito o que fez) vieram para o Benfica.
É fácil dizer que é um falhanço ou um erro de casting; difícil é sugerir ideias alternativas.
19.6.09
O Novíssimo Testamento
15.6.09
Um assim tipo Bossio
8.6.09
7.6.09
31.5.09
Pois se o Nadal perdeu em Roland Garros
Já defendi por aqui a permanência de Quique, e mantenho essa defesa, embora não tenha gostado nada daquele tímido "chin up". Se Quique quer imitar o Mourinho, tem que começar por investir num bom sobretudo e nunca, nunca mesmo, ocupar o banco com um fato de treino.
19.5.09
Para ganhar
O mundo mudou, massas de água se abriram, alienígenas nos visitaram e o Quique deu lições de táctica ao Jesus. Os que vituperavam o espanhol louvam-no agora. Bastou o oportunismo do avançado que o treinador pôs a jogar contrariado, e um deslize do Eduardo, para o Quique ser quase bestial e o Jesus quase besta. A consistência dos nossos cronistas desportivos parece a da gelatina durante um sismo chinês.Eu continuo satisfeito com a possível troca. No passado recente, o slb não tem gostado muito de treinadores portugueses. Sempre virado para o mundo, "entugou-se", passou a louvar o que vem de fora em detrimento do que se encontra por cá. É certo que a experiência do homem-vassoura nos traumatizou, e que se de fora veio Skovdahl também veio Eriksson. No entanto, fazer do estrangeiro a panaceia dos nossos males não resultou nada bem; nem o jogo cauteloso como sinal de um conhecimento pragmático, oposto à vontade de jogar para ganhar. Este brilhante pragmatismo táctico deu-nos um título em 15 anos. Ao nível do Boavista. Ser benfiquista é querer ver a equipa jogar para ganhar em todos os campos portugueses.
É só isso que peço.
Braga, 1 - Benfica, 3
13.5.09
O truque é ignorar a dor
Eu, pecador, me confesso: fui do FCP. Por um par de meses apenas, mas fui. Lá por 78 ou 79, influenciado por um vizinho mais velho e ofuscado por dois títulos seguidos, entreguei a minha pueril alma ao demónio. O meu pai, num gesto que nunca deixarei de lhe agradecer, fez-me ver a luz: eu queria uma bola, e o meu pai recusou. Porque bolas, disse ele, eram só para meninos do SLB.
O SLB era, de facto, a luz, neste país cinzento, neste "meu remorso de todos nós". Ao contrário do que muita gente apontava, o SLB era o clube menos português de Portugal. Este era provinciano, pessimista, invejoso, segregador, dependente. O SLB era universal, ambicioso, trabalhador, liberal. Enquanto, em terras africanas, se tentava calar os indígenas, no SLB punha-se uma braçadeira de capitão num negro. Quando os portugueses estendiam a mão, esmolando, a um parolo de Santa Comba Dão, os benfiquistas arregaçavam mangas e construíam um estádio.
Sim, o SLB não era como Portugal. Era como nós gostaríamos que Portugal fosse.
O SLB aportuguesou-se. Os dirigentes do SLB passaram a vender ilusões, como políticos, e os benfiquistas passaram a desejá-las, como eleitores. O defeso passou a ser uma campanha eleitoral, e Aimar, Reyes e Suazo, o TGV e os 150 000 empregos.
Esta época já tinha acabado. Logo após o primeiro jogo com o Trofense. Estes dois últimos jogos não merecem sequer um comentário, porque foram apenas dois sinais aproveitados pelo herdeiro oportunista para desligar a máquina.
Mas foi uma época diferente das anteriores. Foi a época de Rui Costa, o símbolo do SLB iluminado, o exemplo do homem com humildade ambiciosa, o herdeiro da linhagem real de Cosme Damião, Francisco Ferreira, José Aguas e por aí fora.
Mas, afinal, foi um ministro sem pasta. Mais do que também vender ilusões, foi ele próprio uma delas.
O SLB que o meu pai me apresentou "is no more". E, neste contexto, como é que se consegue aguentar ser benfiquista? Só me consigo lembrar do Lawrence da Arábia: "O truque", dizia ele, enquanto apagava um fósforo com a ponta dos dedos, "é ignorar a dor."
Nacional, 3 - SLB, 1
SLB 2, - Trofense, 2
1.5.09
Lesão benfazeja
Somos fruto de um acaso, perdemos e vencemos de acordo com as decisões impostas ao Quique. Se esse leva a sua avante temos um centro-americano aos tombos numa ilha vermelha num mar adversário. Perde-se. Pode ser que se empate. A preguiça e a bela estampa física são recompensadas.
Se, por outro lado, a fortuna (para nós) o atira para uma maca, a exclusão de partes obriga Quique a colocar em jogo alguém que realmente marque golos.
É desnecessário afirmar aqui que Sá Pinto é bafejado com um pouco de admiração benfiquista (quase toda esbanjada numa certa tarde no Mosteiro dos Jerónimos), mas se a fortuna (sempre ela) não o tivesse atirado para o mesmo leito do Suazo, ainda que não necessariamente ao mesmo tempo (para pena do Sá Pinto), em 2000 o nosso eterno-defesa-central-Humberto colocá-lo-ia a jogar, em detrimento de Nuno Gomes, condenando, assim, Portugal a ser eliminado logo na primeira fase. Seguramente, não daríamos início à tradição de eliminar os nossos mais antigos aliados sempre que a fortuna (a marota) os traz às nossas bandas.
Sugiro que o próximo treinador do Benfica seja aquele tipo que parte o braço ao guarda-redes do Fuga para a Vitória.
“Olha, anda cá para eu te partir a rótula e pôr o melhor jogador em campo”
Benfica, 3 - Marítimo, 2
26.4.09
Porreiro para o OSP, pá
Se os conhecidos do OSP lhe têm demasiado respei… lhe têm demasiado medo para serem absolutamente sinceros com o OSP, já os amigos do OSP lhe perguntam amiúde por que é que o OSP, não tendo assim jeito por aí além para jogar à bola (a despeito de ter um brio, uma capacidade de luta e um espírito de sacrifício do tamanho do perímetro de cintura do José Carlos Malato, tudo qualidades intangíveis que, como é óbvio, mais do que compensam a incapacidade do OSP para passar pela maioria dos adversários, não importa o quão imóveis), acha sempre que sabe melhor do que ninguém o que mais convém à equipa de futebol do SLB. A resposta do OSP, diga-se, é invariavelmente “sim”.
É que a realidade é mesmo essa: o OSP sabe melhor do que ninguém o que mais convém à equipa de futebol do SLB, pois reflectiu e reflecte sobre qual é de facto a índole do futebol do SLB melhor do que qualquer thinktank benfiquista, mesmo que aparecesse um composto pelo António Manuel Ribeiro, o Gaspar Ramos, o Manuel Damásio, o Bruno Carvalho e a epiglote do João Malheiro, todos eles eminentes pensadores do clube, sem qualquer dúvida. O OSP arriscaria mesmo dizer que, neste particular, só se genuflecteria perante um thinktank que incluísse o Toni e o Rui Costa, no caso do primeiro por razões nostálgicas e de gratidão afectiva (se bem que, antes de genuflectir, o OSP tivesse de clarificar ao Toni o que quer dizer “thinktank”), no do segundo porque, se o Rui Costa assim o desejasse, o OSP dar-lhe-ia autorização para passar a ser ele a administrar toda a vida privada do OSP, do preenchimento do modelo 3 do IRS aos contactos telefónicos com o serviço de internet da ZON Multimédia, passando pela satisfação parcial dos deveres conjugais do OSP. O Rui merece tudo.
Ele sabe muito bem, afinal, o que é o SLB, porque, conhecendo-o por dentro como poucos, esteve mais de uma década a estudá-lo de fora, a vê-lo de outras perspectivas, pelo que o OSP só espera que os benfiquistas continuem a ser a sua muralha de aço, independentemente do falhanço que esta época vai ser. Do que o OSP tem certeza é que o Rui Costa vai aprender com os erros que cometeu este ano, mesmo não sendo ele o maior responsável por tudo o que de mau aconteceu. Ao escrever isto, o OSP está convenientemente a ignorar a escolha do Quique Flores, da responsabilidade do Rui Costa, mas, como ele, também o OSP foi iludido pela facúndia e pelo charme gitano do Quique e pela combinação calvície foucaultiana-brinco na orelha esquerda-credibilidade científico-desportiva do treinador do SLB, o Pako Ayestarán. Logo, o Rui tem desculpa.
Já o facto de o OSP não ter assim jeito por aí além para jogar à bola não quer dizer que não saiba o que é o melhor para a equipa de futebol do SLB. O João Pinto também não percebe muito de língua portuguesa e não é por isso que deixa de a usar todos os fins-de-semana no Domingo Desportivo. (O OSP promete ainda investigar a fundo quem é o escritor-fantasma responsável pelas crónicas do João Pinto em O Jogo, pois a dificuldade que ele revela em usar a estrutura SVO na televisão não é perceptível aquando da leitura da sua palavra escrita.) Mas isso não é tudo: ao ouvi-lo, bem como quando ouve muitos outros dos chamados “homens do futebol”, o OSP pensa também por vezes que ter jogado bem à bola pode muito bem valer zero na hora de pensar sobre bola.
Tudo isto é válido, naturalmente, para o Quique, antigo lateral-direito do Real Madrid que teve de chegar quase ao fim da época e de ver o seu avançado preferido lesionar-se com gravidade para perceber que, em Portugal, quando se é treinador do SLB, jogar em 4-4-2 resulta na maior parte das vezes. E atenção que o “2” significa mesmo dois gajos lá à frente, bem destacadinhos, e não um ponta-de-lança e um “falso ponta-de-lança”, essa cruz do futebol português. É por causa de coisas como esta que o OSP fica muitas vezes com a impressão de que percebe mais de bola do que muitos dos tais homens do futebol, neste caso do que um treinador que, a cinco jornadas do fim do campeonato, consegue ter a sua equipa (na qual há, é preciso notá-lo, goste-se ou não deles, jogadores como o Luisão, o Katsouranis, o Reyes, o Aimar, o Di María, o Suazo e o Cardozo) a quatro pontos de uma equipa que levou 12-1 nos oitavos-de-final de uma competição europeia.
Os homens do futebol dizem muitas vezes que o tempo dos dois avançados já terminou, que um sistema que os inclua não é moderno que chegue, que está longe da sofisticação do maquinal 4-2-3-1 do Mourinho, que já não passa de uma reminiscência de um passado romântico, mas o OSP mantém que, em Portugal, adoptá-lo na maioria do tempo é ainda e sempre a melhor opção. Ao fim e ao cabo, e tomando o jogo com o Setúbal como exemplo, vale sempre a pena lembrar que 80% dos jogos internos do SLB são com equipas como o Setúbal, se bem que, na maior parte das vezes, com jogadores mais bem-nutridos do que os do Setúbal. No campeonato, e o OSP deixa isto à consideração do Rui Costa, devia haver um regulamento interno que proibisse um treinador do SLB de ir jogar à Trofa em 4-2-3-1. E por favor não venham falar ao OSP dessa treta do “hoje em dia não há jogos fáceis”.
Por outro lado, jogar com dois avançados é quase uma obrigação de qualquer treinador que queira ser parte da tradição do SLB, pois não só traz resultados, como demonstra preocupação em honrar o passado do clube: José Torres-Eusébio, Artur Jorge-Vítor Baptista, Filipovic-Nené, Magnusson-Rui Águas ou Hassan-Marcelo são nomes de integrantes de duplas de ataque que qualquer benfiquista que se preze deve ter na ponta da língua ao invocar as virtudes do 4-4-2, e o OSP tem-nos. Sempre.
O OSP está ciente, claro, de que a concepção romântica que tem do 4-4-2 está directamente ligada ao facto de, nos anos em que começou a ver futebol, ser norma o SLB jogar com dois avançados. Está ainda ciente de que as visões do que ficou para trás são sempre sedutoras e apelativas, porque a tendência humana, afinal de contas, é olhar para o mundo do passado como sendo mais autêntico e menos complexo, mas continua a achar que, em 1986 como agora, os Setúbais e os Trofenses compõem a maior parte dos adversários do SLB no campeonato, além de o SLB ter sempre, regra geral, melhores jogadores do que essas equipas. É, pois, uma simples questão de números, tão simples que até o OSP a percebe, mesmo sendo um homem das letras.
O OSP pode não ter assim jeito por aí além para jogar à bola, mas isso não o impede de saber que o Balboa não joga um caralho. Do mesmo modo, não precisa de grandes explicações para demonstrar que jogar com dois avançados é eficaz. O jogo com o Setúbal faz isso pelo OSP, já que foi precisamente o facto de o SLB ter jogado com dois avançados que levou a uma vitória tão larga (cada um desses avançados, já agora, marcou dois golos).
Para ser fiel à verdade, O OSP é forçado a admitir, contudo, que a defesa do Setúbal se mostrou escandalosamente inepta, mas o facto é que teve sempre dificuldades em entender-se com dois jogadores do SLB na frente. (O OSP tem certeza absoluta de que tal se ficou a dever à ausência por lesão de uma velha paixão sua, o Zoro: tivesse ele jogado, o Setúbal não precisaria de outro central ao lado dele, pois o Zoro marcaria o Nuno Gomes e o Cardozo em simultâneo e ainda teria tempo para ir à área do SLB criar perigo em cada lance de bola parada que houvesse.) E o melhor exemplo disso é a jogada do 4-0: o Di María cruzou, ficaram três defesas a olhar para o Cardozo, e o Nuno Gomes teve tanto tempo para rematar que até ele teria dificuldade em não marcar. Mesmo assim, demonstrando um toque de bola quase obrigadosápíntico, ainda conseguiu rematar para o meio da baliza, praticamente à figura.
Setúbal, 0 - SLB, 4
20.4.09
Relavit Fósforo



13.4.09
Let's sing another song, boys
12.4.09
E tomates, tem?

11.4.09
O defeso, finalmente


8.4.09
Obviamente, demitimo-los


7.4.09
E o defeso, que nunca mais chega


23.3.09
A prostituição intelectual é exercida por intelectuais prostitutas (ou prostitutos)?

22.3.09
Afinal, parece que ganhámos a Liga dos Campeões

20.3.09
Medo cénico

Para vencer a Taça da Liga, o Quique poderia apostar no "medo cénico". Para isso, poderia mandar todos os jogadores do SLB colorar de louro o cabelo e ensinar-lhe umas frases básicas em alemão, tipo:
"Moutinho, Ich kenne Kinder unter 5 Jahren höher als Du", ou
"Veloso, Paulo Bento hat eine bessere Friseuse als Du", ou ainda
"Rochemback, dein Ass passt nicht mehr auf dem Platz des Handels".
Enquanto o jogo decorria, os no name cantariam "glorreiche SLB, glorreiche SLB".
Com algum grau de certeza, o SLB aguentaria até aos penalties. E, aí, bastaria o primeiro penalty marcado ser assinalado com um sonoro "Tor", e todos os jogadores do Sporting, com os olhos cravejados de lágrimas, falhariam.
Sim, trata-se de um esquema muito rebuscado e de difícil execução. Mas bastante mais difícil será o Quique conseguir fazer, numa semana, aquilo que não conseguiu em 6 meses: pôr a equipa a jogar à bola.
15.3.09
O Padinha quer o livro de reclamações
1. O OSP é, propositadamente, um saco de lacunas. Mas isso não quer dizer que não possa haver, aqui e ali, um esforço para as colmatar. Uma delas, tendo em conta que se trata de um blogue sobre o SLB e, por isso, indirectamente sobre futebol, tem a ver com o discurso, ora na primeira pessoa do singular, ora no plural jornalístico. Inspirado por Miguel Veloso, um moço claramente leitor dos livros da Anita, especialmente do "Anita vai ao cabeleireiro", hoje vou escrever, a partir do ponto 2., na terceira pessoa.
2. O Padinha, no post antecedente, atravessou-se num prognóstico. Terá dado azar? Não, certamente que não. O Padinha teve apenas uma fase de superstição, nomeadamente durante o caminho que nos levou, em 89/90, à final de Estugarda. Com o seu irmão, Padinha corria as casas de pasto da Rua dos Soeiros em busca de lombinhos de porco, missão essa bastante mais complicada em Bruxelas e em Estugarda. Ainda assim, esse reforço de colesterol não foi suficiente para contentar os deuses, que entenderam não dar confiança ao Veloso (o António, o outro, o Miguel, estava em casa – provavelmente, na casa do Néné –- a ler a Anita). E de superstições ficou o Padinha cheio.
3. O Padinha não foi, durante esta semana, inspirado apenas por Miguel Veloso. Foi, também, inspirado pelo benfiquista José Eduardo Martins, que, provavelmente por o ser, sabe bem que um bom e sonoro "Pró caralho" é largado de acordo com o interlocutor, e não com o local. E o tal de Candal visivelmente merece não só a sonora caralhada, como uma boa mochela encostada à testa. Mas a inspiração do deputado Martins acabou por ser indirecta, porque o que interessa para o post de hoje é outra citação de um político, bem imbuída de vernáculo: "Em Portugal, há tanta falta de profissionalismo, que até as putas se vêm." João Soares dixit.
4. O prognóstico não falhou. O Padinha não se baseou em qualquer conjugação astral, nem largou búzios ou cartas, porque tudo o separa da Maya (a começar pelo peito, bastante mais pequeno e peludo, e ainda de origem). O prognóstico assentou no facto de o Vitória, como todas as equipas treinadas por Cajuda, jogar o "jogo pelo jogo".
5. Jogar o "jogo pelo jogo" é a qualidade mais apreciada pela imprensa portuguesa, em qualquer treinador. Pois essa é a característica que irrita mais o Padinha, seja ela do Cajuda ou do Cruyff. Os treinadores não são pagos para porem a sua equipa a dar espectáculo, mas sim para porem as suas equipas a ganhar. O Padinha está-se a borrifar para o espectáculo, até porque detesta o suposto maior espectáculo do mundo, incluindo o Cirque du Soleil, esse filme de ficção científica de série Z com música de elevador. O Padinha quer que o SLB ganhe ou, no mínimo, que se esforce para o conseguir. E um tipo que "jogue o jogo pelo jogo", como Cruyff fez contra o Milan de Capelo, esse extraordinário profissional, está a gozar com quem lhe paga e o apoia. Está a demonstrar uma falta chocante de profissionalismo.
6. Não há nada melhor do que jogar contra uma equipa que "jogue o jogo pelo jogo". São equipas previsíveis e que deixam jogar. E, no passado sábado, foi o jogo em que os jogadores do SLB mais conseguiram ir à linha, apesar de se terem esforçado tanto como uma anémona. E, se tivessem feito uma reanimação cardíaca ao Cardozo – procedimento que o Padinha aconselha a todos os 15 minutos – que o fizesse esticar uma perna ou simplesmente não fugir da bola, lá teríamos marcado um golo na primeira parte, e lá teríamos o prognóstico do Padinha completamente certo.
7. Se há crítica que esta equipa do SLB não merece é a de "jogar o jogo pelo jogo". De facto, e com particular ênfase no jogo passado, o SLB não jogou o jogo. Ponto. Final. Parágrafo.
8. O Padinha, como já referiu, não quer a sua equipa a jogar o que se entende normalmente por bem. Não quer, de todo. Quer apenas, e o Padinha reforça o apenas, que façam aquilo que milhões de pessoas pagam para fazer diariamente: suar. E, no sábado, especialmente naqueles primeiros 15 minutos da segunda parte, em que os meninos pareciam ter saído de um copo de água, a coisa já foi mais do que medíocre, paupérrima ou qualquer outro adjectivo depreciativo. Foi o zero absoluto, algo que, supostamente, é um preceito teórico, mas que, afinal, acabou por ser demonstrado no Estádio da Luz.
9. O Padinha não conhece em detalhe a legislação aplicável ao Livro de Reclamações. Mas, depois do jogo com o Vitória, acha que o SLB deveria ter um. E o Padinha faz daqui um apelo a todos os benfiquistas: dirijam-se ao Estádio da Luz e peçam o livro de reclamações. Mas deixem que o José Eduardo Martins seja o primeiro a reclamar. Ele escreverá algo que a todos nós, naquele sábado, apeteceu dirigir àquela amálgama de corpos vestidos de encarnado.
Benfica, 0 - Vitória de Guimarães, 1
12.3.09
9.3.09
Encabulado

Sempre com esse nobre objectivo em vista, perguntavam à mais Bolhoa das varinas o que achava dos empréstimos de capital do FMI ao estado português. Capital, as senhoras só conheciam Lisboa (e não tinham a certeza), e FMI era peixe que não vendiam. Ninguém ganhava com essas rábulas, e mesmo eu, espectador incauto, porque precoce, mudava constrangido de canal (inevitavelmente para o segundo), fisicamente indisposto com a humilhação pública de uma pessoa com idade para ser minha avó. Passados todos estes anos, sinto o mesmo quando vejo o Benfica Quiqueano a jogar. Pelo menos a senhora não tinha bem noção da vergonha que a faziam passar.
Naval, 1 - Benfica, 2
8.3.09
E tu, Quique, percebeste?
Os treinadores que têm passado pelo SLB têm ignorado essa regra.
Camacho, o menos intelectualmente dotado de todos os treinadores com que o OSP teve de lidar (e, sim, incluindo Mário Wilson e Chalana), despachava o descontentamento dos adeptos, esses tipos completamente loucos, como nos apelidou Souness, com uma frase simplista: “Eles julgam que este é o Benfica de Eusébio.” Ora, Camacho não só desconhecia que nunca houve um Benfica de Eusébio, como desconhecia de todo quem foi Eusébio.
É bom lembrar que a dimensão europeia que o SLB alcançou na década de 60 começou antes de Eusébio, com a vitória sobre o Barcelona. E mesmo a resposta – suada, muito suada – ao poderio inegável do Real Madrid, no eterno jogo dos 5-3, foi dada, antes do pianista moçambicano, por um carregador de piano de seu nome Cavém.
É óbvio que, sem Eusébio, é muito difícil de imaginar que o SLB conseguisse, depois disso, marcar presença em mais 3 finais. Mas Eusébio era uma peça completamente SLBiana, com um brilhantismo que começava pelo seu esforço e dedicação, antes das suas correrias e remates decisivos.
O que ficou então desses tempos? Não uma limitada e impossível exigência de resultados, muito menos de réplicas da arte de Eusébio da Silva Ferreira, mas sim, como desde a fundação do SLB, a exigência de esforço.
Os completamente loucos adeptos do SLB estiveram ao lado da equipa que Toni levou a Estugarda, e também da que Koeman, há pouco tempo, levou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. E apoiámos Tuebas e Edmundos, e até, com grandíssimo esforço, Betos, moços com uma aptidão futebolística similar à de um mamute, porque suaram aquelas belas camisolas até esgotarem a ultima caloria do seu corpo.
Por tudo isto, aqueles últimos 20 minutos do SLB contra o Leixões foram, aos nossos olhos, dignos do SLB. O Aimar como trinco, o Nuno Gomes a fechar a esquerda, os defesas com pelo na venta e olhar guerreiro, tudo junto num pacote que se tornou o melhor momento – so far – da época.
Quique congratulou-se por os adeptos terem percebido o que estava em causa. Esteve quase lá. Os adeptos, Quique, gostam muito de ver os gajos que envergam as nossas camisolas a suarem as estopinhas para ganharem um jogo. Agora, Quique, apesar de, passados todos estes meses, não conseguires pôr a equipa a jogar futebol, vê lá se percebes que o que nós queremos é que, pelo menos, ponhas os teus meninos, regularmente, a suar. E, se tu perceberes isto, também nós nos congratularemos.
SLB – 2, Leixões - 1
25.2.09
Desprezo por Dumas
E custa bater no puto, apesar do cabelo (passe o eufemismo), porque, há dois anos, este mesmo puto parecia vir a ser, finalmente, um sucessor dos excelentes centrais brasileiros que o SLB teve, em tempos, a sorte de arranjar (nomeadamente, Mozer, Ricardo e Aldair).
E custa ainda mais bater no puto, apesar do cabelo (passe o eufemismo), porque, há apenas uma semana, este mesmo puto teve uma exibição que, em “critiquez”, se designa por irrepreensível.
Pois, um dia tentaremos encontrar explicação para isto. Mas o que nos interessa mais agora é denunciar a farsa do jogo realizado pelo SLB.
Farsa, porque é suposto que seja um jogo colectivo. Somos constantemente encharcados de discursos mais pró-colectivistas que um congresso do PCP. Ele é o “grupo”, a “união”, a “solidariedade”, e vamos a ver e um tipo, apenas um tipo, 9% da equipa, decide tudo.
Ou não?
O que se passou no jogo de sábado foi que um tipo estava numa noite bastante má. Deitou-se jogador do SLB e acordou jogador do Inatel. E isto até pode acontecer. O que não pode acontecer é que 91% da equipa se esteja a cagar para isso. Quantas vezes é que o David Luiz teve ajuda? Zero, certo? Não é suposto um flanco ter mais do que um gajo, especialmente quando há mais do que um gajo do outro lado?
Mas não. Por isso, custa realmente bater no puto, apesar do cabelo (passe o eufemismo), porque o puto, porque puto é, não sabia que, afinal, a sua equipa não pratica um jogo colectivo: é uma linha de montagem em que cada um tem a sua tarefa. E, se algum falhar a sua tarefa, o produto final sai estragado.
Esta equipa do SLB despreza a divisa do clube, a divisa dos mosqueteiros de Dumas. E, no sábado, esta realidade tornou-se mais visível porque, ainda por cima, os outros é que tinham o D'Artagnan.
Sporting, 3 – Benfica, 2
22.2.09
As férias
O Benfica joga como um tonto, deixa-nos atarantados e sempre à espera de algo inesperado. Ainda assim, consegue sempre surpreender-nos com o inopinado. O Benfica defende como ataca, atabalhoado e sem nexo. Ora, isso pode resultar no ataque, porque o adversário pensa “isto não pode ser, não tem jeito nenhum”, e pumbas, acontecem golos como o do Amorim ou o do Di María. Está certo que com o Di María nenhuma explicação de ordem táctica resultaria, pois estamos perante o mais burro jogador de futebol de que há memória (para quando os €20M?).
Quer parecer-me, contudo, que no meio-campo e na defesa isso pode não resultar tão bem. E por isso sofremos, nesta temporada, cinco golos desta grande equipa pacense.
Não sei, mas nove meses para formar uma equipa parece-me muito tempo. O triplo do que tomou ao Jorge Jesus, por exemplo. Se calhar, para o Quique, formar uma equipa significa colocar o Suazo a jogar até ele deixar de preguiçar e acertar. Isso não vai acontecer. O Suazo tem um subsídio de férias mensal de 300 mil euros e não era agora que se ia pôr a trabalhar.
No final, ainda se vai dizer que o Benfica não foi mais longe porque o Cardozo não marcou golos suficientes, não justificando o valor investido. Acabamos a vender o Cardozo ao mesmo tempo que devolvemos o Suazo à origem.
Benfica, 3 – Paços, 1
14.2.09
Para não te dar um par de estalos, Luís, é preciso um esforço desumano (1) (2)
Mas agora, Luís? Agora? Em 2009? O Porto esta época, só em casa, já perdeu 1 jogo e empatou 2. E isso, nos outros tempos, era tão provável como um casal de coelhos, num buraco, gerar várias notas de 20 euros (alguém tem a bondade de nos informar se, na sociedade coelheira, a adopção de coelhinhos por casais de coelhos homossexuais, está legalizada?). Mas, repetindo, como forma de enfatizar, agora? E mesmo nessa cabecinha recheada de boçalidade, não poderás encontrar, Luís, uma porçãozita de vergonha? Desculpa, Luís, mas foda-se (pronto, um gajo enerva-se e começa asneirada a desfilar). Nós ganhámos ao Braga, porque o árbitro, das duas três: tem algum litígio com a Optivisão ou estavam, nesse dia, várias gajas extremamente boas e despidas espalhadas na primeira fila, ou ele adora ver o António Salvador fodido da vida (e, se foi por este último motivo, toda a nação ficará agradecida).
E obviamente que o Proença nos entalou, mas porque ou é básico, ou ainda tem medo de não marcar penalties lá em cima, ou tem simplesmente medo de levar porrada, ou todas estas coisas ao mesmo tempo.

Mas acima de tudo, Luís, acima de tudo e mais alguma coisa, não tentes utilizar a ironia. Pelo amor de Eusébio e tudo o mais que é sagrado – o Cosme Damião, o Pipi, o Francisco Ferreira, o José Águas, o Chalana, a capela (destruída) da Senhora Dona Margarida Prieto, and so on.
O que é, Luís – ouve, ouve quando estão a falar contigo –, esta merda:
“O que se vai passando, continuamos a dizer que é erro humano, mas Calheiros, Martins dos Santos, Antónios Costa erraram muito humanamente contra o Benfica e algumas taças foram-se embora.” “Erraram muito humanamente? O que é isto, Luís?
Se a pátria do outro era a língua portuguesa, tu és um apátrida, homem.
Não brinques (mais) com isto. A sério. Cala-te, acima de tudo não sejas coninhas, e limita-te a fazer aquilo que nós gostamos que tu faças (e que tens feito bem): avalizar empréstimos ao SLB e pagar o ordenado (e a horas) ao Rui.

(1) Os seguranças que te acompanham, Luís, são provavelmente, e obviamente pela sua simpatia, quem nos mais faz hesitar quanto à possibilidade (remotíssima, podemos garantir-te, mesmo ainda na sua génese) de te esbofetearmos. Aliás, somos todos amigos, no fundo tudo o que aqui está escrito é, digamos, também, uma ironia (ah, ah, ah). Compreendes, Luís? Tudo bem connosco? Estamos bem?
(2) Homenagem singela, mas sincera, ao autarca (salvo erro, de Valença do Minho) que ontem de manhã, na TSF, referiu que para enfrentar a crise é preciso um “esforço desumano”
13.2.09
Primeiro como tragédia, depois como farsa
Marchando desapiedada, a idade média do OSP perfaz já 35,66 anos, mas o OSP gosta de acreditar (sobretudo agora, que já começa a sentir nas costas o bafo hiscoso, ainda que sábio, da meia-idade) que pelo menos 28,34 desses 35,66 anos estiveram ligados ao que se costuma chamar “uma vida preenchida” (dentro de inescapáveis constrangimentos societários, como é óbvio). Como acredita mais na concepção circular da existência do que propriamente na noção de progresso, o OSP considera que os acontecimentos históricos se repetem de forma cíclica, embora com feição diferente, da mesma forma que crê que as sensações e os estados emocionais se duplicam, embora com necessárias alterações de intensidade. Deste modo, o que varia é somente a natureza dos fenómenos que os criam.
Tendo dito isto, o OSP vê-se forçado a revelar que não é daqueles que querem andar por cá até aos 98,63 anos, pois, tendo já vivido bastantes acontecimentos e sensações na sua vida, acredita que, se prolongasse demasiado o seu prazo de validade, estaria condenado a não mais fazer do que reciclar reacções a esses acontecimentos e sensações até ao fim. Fim esse que, o OSP como que o intui, seria precedido de uma progressiva e por demais escabrosa lassidão das suas funções urogenitais. Não, 70,02 anos serão o suficiente para o OSP.
Mas o OSP divaga. O que interessa é que, em consequência do tão celebrado vitalismo obrigadosápíntico, esta tem sido, de facto, uma vida preenchida, na qual o OSP já experimentou com drogas leves; já se embriagou com vinho de cozinha; estava lá no hat trick do Rui Águas ao Porto; tentou, nos seus anos mais jovens e mais vulneráveis, viver em Paris de acordo com o exemplo do Hemingway (até se aperceber de que a sua coragem física era mais parecida era com a do Fitzgerald); já viu o Messi ao vivo; já foi a Veneza; já fez pára-quedismo; já conheceu o amor; já soluçou ao perder o amor (possivelmente em público, se bem que tudo surja ainda demasiado obnubilado na mente do OSP); já viu o Rojas e o Escalona como laterais titulares do SLB (e, sentado na primeira fila, num derby com o Sporting, jura que viu puro terror nos olhos do primeiro); sobreviveu a 14 anos de Cavaco Silva (ainda em curso); já sucumbiu mais de 61 mil vezes ao pecado da gula; já enrolou os pés publicamente nos tapetes das etiquetas; até aos 26 anos acreditou que, com um pouco mais de esforço, ainda dava para chegar a titular do SLB; viu 372 vezes o Ruptura Explosiva; já foi devoto a Deus; já amaldiçoou a Deus; não foi capaz de ver o penalty do Veloso; já viu o Nadal e o Federer ao vivo; já imaginou o que a Carolina Salgado deve ter feito ao Pinto da Costa para lhe dar a volta à cabeça (e nunca mais foi o mesmo depois disso); viu o golo do Maradona à Inglaterra em directo na televisão; viu partirem o Muro de Berlim em directo na televisão; viu o Futre dizer “Ganhar, caralho! É para ganhar, caralho!” em directo na televisão; foi ganhando aos poucos o hábito irritante de se referir a si próprio na terceira pessoa do singular; já contou piadas absolutamente hilariantes que foram recebidas com silêncio total pela assistência; já disse “dizer ‘russos, copos’, argh!” (e era tudo mentira); transformou a masturbação adolescente numa forma de arte; já viu raios C a cintilarem na escuridão junto à Porta de Tannhauser; tem Leverkusen presente como se tivesse sido ontem; já viu o Tim Duncan ao vivo; já viu o César Peixoto e o Vítor Baía a andarem de bicicleta; viu o Emmanuelle vezes suficientes para decorar todas as falas (só as da versão alemã, todavia); viu o Flying Circus vezes suficientes para decorar algumas falas; estava atrás da baliza certa, quando foi a mão do Vata; já experimentou o conforto de umas boas ceroulas; já tomou banho nu num lago nos primeiros dias do Outono; já viu trees of green and clouds of white; acha que o Manuel Alegre é o último político português honesto; já leu a Montanha Mágica; nunca leu A Filha do Capitão; já pensou em agredir variadíssimos seleccionadores nacionais e treinadores do SLB, idolatrando quem o faz; já fez compras embaraçadas (e semiembuçadas) em sex shops; já chorou ao ver o SLB entrar em campo com o Drulovic como capitão de equipa; já viu clisteres feitos dos objectos mais incríveis; já viu um caracol arrastar-se sobre o fio de uma navalha; viu o Carlos Lisboa ao vivo; já teve a polícia a persegui-lo pela noite de Lisboa; concebeu, praticou e divulgou o OQEQOAJFNS; chorou ao ver o Nelo com a camisa 10 do SLB depois da saída do Rui Costa para a Fiorentina; já ouviu a América a cantar; esteve na festa dos 50 anos do Eusébio e, ao ver o Kempes, com uma barriga fradesca, a pôr a bola onde bem lhe apetecia com o pé esquerdo, percebeu que para sempre amaria o futebol mais do que qualquer outra forma de arte.*
Esta tem sido, de facto, em consequência do tão celebrado vitalismo obrigadosápíntico, uma vida preenchida, na qual o OSP experimentou e viu muito. Mesmo assim, o OSP não faz ideia de qual será a sensação de ter uma decisão do árbitro a seu favor no estádio do Porto.** Nem consegue imaginar como isso será — é-lhe impossível, não tem quaisquer referentes que lhe permitam que o faça —, tão-pouco alvitra quantos anos de vida serão precisos para que o saiba. É por isso que, para o OSP, essas histórias da concepção linear da existência não pegam.
Porto, 1 - SLB, 1
* Com possivelmente uma excepção.
** Hoje em dia, o OSP contentar-se-ia com uma falta mal marcada a favor do SLB na zona do meio-campo. Não é preciso exageros, tipo um livre junto à bandeirola de canto. Isso também era capaz de ser de mais. Um jogo perigoso em que o árbitro marcasse livre directo ainda no meio campo do SLB chegava.
9.2.09
Se o Cardozo jogasse futebol num navio, a bola nunca iria para a água.

É de sua condição dar a conhecer à bola os benefícios da madeira. Mas, se isso é bom para anúncios da Nike, para uma vitória do glorioso causa acidez bucal. Ainda que o Cardozo seja uma acidez bucal excepcional.
O que não é tão excepcional, ou fácil de engolir, é que o Quique insista em pôr a jogar um preguiçoso que não marca há 23 anos, em detrimento de alguém que já provou marcar dezenas de golos quando a jogar. Sentadinho no banco de suplentes é capaz de ser difícil.
Mas, no OSP, preferimos não ir mais longe neste tipo de críticas, pois aqui se passa algo de pessoal e íntimo (íntimo e pessoal, Pino e Lino, Lino e Pino) entre Quique e o jeitoso hondurenho.
Nós somos muito prafrentex, e, se o amor se encontra num palco relvado, também é bonito. Eu preferia que arranjassem um quarto e dessem o relvado a quem quer realmente jogar. Mas eu sou um gajo esquisito.
Benfica, 2 - V.Guimarães, 1
4.2.09
Nadal, mate
E é este facto que permitiu a Trap juntar mais um título à sua montra transfronteiriça. Esse facto e o Apito Dourado, esse processo com conclusão dúbia, mas que transformou o Porto numa equipa que lida com as dificuldades das demais.
Como já referimos aqui, o SLB de Quique nunca poderá ser um campeão de peito feito, dominador, inquestionável, memorável. Será, se o for, mais um campeão à Trap do que à Toni, embora o início de época prometesse o exacto contrário. E, já descortinando esse facto, tínhamos referido aqui que faltava a esta equipa um Mantorras. E eis senão quando o próprio do dito cujo apareceu para nos safar do Rio Ave.
Por muita superstição e até fé que o OSP possa tentar ter, a aparição de Mantorras não é indício suficiente. Tal como na época de Trap, é com o Porto que se vislumbrará se a nossa esperança se poderá metamorfosear em confiança (mas confiança da verdadeira, não da josésocrática). Pois, nessa época, o velho Trap lá mexeu na sua equipa e colou um tal de Karadas encostado aos centrais do Porto e, com isso, empatou o jogo. E, reparem, até essa altura os jogos nas Antas eram autênticas finais de Grand Slam entre o Nadal e o Fed. Pois se no OSP não temos dúvidas que se, por absurdo, o Fed conseguisse ganhar uma final ao Nadal, teria uma overdose de adrenalina que o levaria a n.º 1 do Mundo e a largar a gorda bexigosa da namorada, também não temos dúvidas que, se arrancarmos no mínimo um empatezito lá em cima, lá teremos uma via aberta para, em meados de Maio, esquecermos este clima de crise durante uns bons dias.
Mas isso será apenas possível se a lógica estiver do nosso lado, ou seja, afastada lá das Antas. Caso contrário, repetir-se-á uma cena que aconteceu no passado domingo. Enviei uma sms para o Tó Portela com a pergunta embrenhada de esperança: “Então o Fed?” E a resposta, lacónica e ostensivamente declamadora da minha elementar falta de racionalidade no que diz respeito ao ténis, foi: “Nadal, mate.”

SLB, 1 – Rio Ave, 0













