4.2.09

Nadal, mate

O futebol é um constante desafio da lógica e, consequentemente, da estatística. Não há outro desporto de competição em que uma equipa que não jogue praticamente nada possa ganhar um jogo – tipo RFA-Portugal de 85 – para além do futebol.
E é este facto que permitiu a Trap juntar mais um título à sua montra transfronteiriça. Esse facto e o Apito Dourado, esse processo com conclusão dúbia, mas que transformou o Porto numa equipa que lida com as dificuldades das demais.

Como já referimos aqui, o SLB de Quique nunca poderá ser um campeão de peito feito, dominador, inquestionável, memorável. Será, se o for, mais um campeão à Trap do que à Toni, embora o início de época prometesse o exacto contrário. E, já descortinando esse facto, tínhamos referido aqui que faltava a esta equipa um Mantorras. E eis senão quando o próprio do dito cujo apareceu para nos safar do Rio Ave.


Por muita superstição e até fé que o OSP possa tentar ter, a aparição de Mantorras não é indício suficiente. Tal como na época de Trap, é com o Porto que se vislumbrará se a nossa esperança se poderá metamorfosear em confiança (mas confiança da verdadeira, não da josésocrática). Pois, nessa época, o velho Trap lá mexeu na sua equipa e colou um tal de Karadas encostado aos centrais do Porto e, com isso, empatou o jogo. E, reparem, até essa altura os jogos nas Antas eram autênticas finais de Grand Slam entre o Nadal e o Fed. Pois se no OSP não temos dúvidas que se, por absurdo, o Fed conseguisse ganhar uma final ao Nadal, teria uma overdose de adrenalina que o levaria a n.º 1 do Mundo e a largar a gorda bexigosa da namorada, também não temos dúvidas que, se arrancarmos no mínimo um empatezito lá em cima, lá teremos uma via aberta para, em meados de Maio, esquecermos este clima de crise durante uns bons dias.


Mas isso será apenas possível se a lógica estiver do nosso lado, ou seja, afastada lá das Antas. Caso contrário, repetir-se-á uma cena que aconteceu no passado domingo. Enviei uma sms para o Tó Portela com a pergunta embrenhada de esperança: “Então o Fed?” E a resposta, lacónica e ostensivamente declamadora da minha elementar falta de racionalidade no que diz respeito ao ténis, foi: “Nadal, mate.”


SLB, 1 – Rio Ave, 0