10.5.10

Parecia um filme americano



No fim, ganharam os bons!

Benfica, 2 - Rio Ave, 1

Benfica, 32 - Demo B, 0

2.5.10

Adiamento

Só vou escrever sobre o jogo de hoje lá para quarta-feira porque hoje só me apetece escrever asneiras.
Mas ainda assim deixo já quatro críticas:
- à Sportv por, entre os cerca de 1.200 futebolistas vivos de ambos os clubes, ter escolhido o William e o Secretário para comentadores (um especialista sobre a passividade defensiva e outro sobre remates no escroto);
- ao Jesus por não ter convocado o Di Maria e o Cardozo;
- ao Jesus novamente por, quiçá inspirado pela S&P, ter transformado o melhor ataque em Portugal dos últimos 20 anos num ataque especulativo;
- à sorte, ao destino, a Deus, e por aí fora, por me andarem a fazer sofrer - eu já tenho uma certa idade, o meu coração está coberto de gordura (e recuso-me a comer aqueles iogurtes que reduzem o colestrol) e se, para a semana, na primeira meia-hora, não estivermos a dar dois secos, planto-me logo em Santa Maria.



26.4.10

Mão-cheia


Tem sido um ano de adjectivação difícil para os jogos do Benfica. A excelência tantas vezes repetida corre o risco de a normalizar. E se é a excelência que queremos normalizada no Benfica, também não nos podemos esquecer que o Diabo está sempre a espreitar atrás da porta (do Dragão). O óptimo nunca deve ser dado como adquirido, apenas como merecido. Por isso, cinco golos contra uns rapazes jeitosos deve ser devidamente valorizado. O ano passado perdemos com o Trofense e encolhemos os ombros à laia de inevitabilidade.
Este ano, fosse um campeonato mais normal, e há muito que seríamos campeões. Com os pontos que vai amealhar o Braga teria sido campeão em quase todos campeonatos da última década.
E quer-me parecer que isso nos custou uma "Euroliga".

Benfica, 5 - Olhanense, 0

19.4.10

O futebol é um jogo, lembram-se?

"Back to basics" é um excelente exercício. E que devíamos utilizar com muito mais frequência em todas as vertentes da vida, por exemplo quando estamos desmotivados no trabalho ("estou muito melhor aqui que no desemprego") ou a reequacionar o casamento ("a Vânia da contabilidade tem umas ricas mamas mas acha o violador de Telheiras um querido"). E também, obviamente, no futebol.
No futebol temos a tendência para racionalizar totalmente. No jogo com a equipadevermelhosediadanacidadedeliverpool lá andou toda a gente a dizer que o Jesus não devia ter posto o Sidnei, que o Paulo Bento espanhol o surpreendeu e mais não sei quê, quando a explicação é recorrer ao "back to basics". E o que o exercício de "back to basics" nos diz é que o futebol é um jogo e que por isso tem uma grande parte de aleatoriedade, que é como quem diz que, como jogo que é, a sorte pesa muito. Ou a falta dela, que é disso que o SLB tem que se queixar nesta edição da Euroliga. Para começar, calharam-nos as duas melhores equipas da competição. Para prosseguir, o cabrão do Torres depois de ter estado lesionado praticamente a época toda, recupera para jogar connosco e depois lesiona-se a seguir. Junte-se a lesão do Saviola e insultemos todos o velho Trap, que nos gastou toda a vaca para aí de três décadas, naquele malfadado título de 2005.
Imaginem a eliminatória com a equipadevermelhosediadanacidadedeliverpool com o Saviola a jogar. Mais: imaginem-na com o Saviola e sem o Torres e digam lá se milhares de gajos não tinham já ligado à Cofidis para pagar a viagem a Hamburgo. Essa é que essa.

Pois é, o futebol não se baseia na sorte, mas tem momentos e normalmente críticos em que não pode passar sem ela.
Com a Académica, ela veio e foi. Veio com aquele herói acidental chamado Weldon, que espetou mais um golo sem saber ler nem escrever. Foi-se com aquele chouriço que comemos. Voltou com mais um golo espetado pelo Weldon (ele que não me leve a mal mas tudo o que ele faz, e especialmente quando acerta na baliza, me parece obra do acaso). E foi-se com mais um golo da Académica, desta vez sem qualquer ressalto, mas com azar: o azar de não jogarmos com um guarda-redes decente. Voltou com as forças magnânimas da sorte a colocarem um passe do Di Maria no caminho de um colega. E foi-se novamente com mais um golo que nos deu um bocadinho de stresse.

E estando hoje imbuído de irracionalidade (segundo a minha mulher estou assim desde sexta-feira, quando comprei um bilhete para a minha filha de 5 anos ir ver o Olhanense, num estádio que deverá estar a abarrotar), digo-vos já: para a semana somos campeões. A única coisa que é preciso é ter sorte.

Académica, 2 - SLB, 3

16.4.10

Uma questão de doping


Isto não pode ser! O Sporting não pode estar a 26 pontos do Benfica. É inaceitável a concorrência desleal. O Benfica, por mais que não queira, joga como se defrontasse o Naval ou Rio Ave, e festeja a vitória do mesmo modo. O Sporting, como sempre, joga a sua final da Liga dos Campeões. Tudo na sua temporada (existência?) é feito em função deste par de partidas anuais.

O que lhes vale é que o Benfica ganha sempre graças aos árbitros, ao relvado, ao tempo, aos túneis, e à reforma do sistema de saúde do Obama. Como boa filial lacaia do demo, nem duas penalidades e uma expulsão perdoadas servem de atenuante. Como bom aluno, aprendeu que a realidade nunca deve ser impedimento para expressar a verborreia que seja.

E a realidade é que até coxos lhes marcamos golos.

Benfica, 2 - Zbórdem, 0

8.4.10

Com três letras apenas se escreve a palavra mãe e com trinta e sete se descreve o jogo de hoje

Jorge Jesus: "Tivemos falta de andamento para o Liverpool"



equipadevermelhosediadanacidadedeliverpool, 4 - SLB, 1

Estás a ganhar, não estavas?

O Benfica está a desenvolver uns traços de maldade que são saudáveis. Isto de praticar apenas o bem e o bom futebol pode tornar-se um pouco monodimensional, e dar pouca espessura dramática ao campeonato.

O Naval, como tal, talvez não o mereça; mas iludir o Inácio, fazê-lo crer que pode vencer o Benfica, a razão da sua existência, e sonegar-lhe tal desiderato é de uma traquinice refrescante.

Nem o onirismo beetliano foi suficiente. David Luiz pensava como marcar Kuyt quando Fábio corria para ele, Quim calculava mentalmente o angulo dos remates de Torres quando se tardou mais um segundo a fazer-se à bola, Javi Garcia colocava-se em campo prevendo os avanços de Gerard, e, quando se deram conta, que chatice, tiveram de jogar um bocadito à Benfica. "Vá lá, não custa nada", vocifrou JJ das linhas. "Tá bem", jogaram eles dentro de campo. E Weldon marcou.

Rebentamos, assim, um avançado por jogo. Colocar a jogar avançados apenas no final da temporada, depois de uma temporada praticamente parados, vai dar nisto; mas nada vale mais de que uma vitoria gloriosa. Serão os nossos bravos da Normandia, nas praias da opressão demoníaca.

Naval, 2 - Benfica, 4

7.4.10

O Anticristo

Jogo à noite, estádio cheio, uns quartos de final de uma prova europeia, um adversário com um historial do tamanho do cadastro do Sócrates. Tudo perfeito. Tudo? Não. Do outro lado, um espanhol pançudo, mostrava mais uma vez ao seu mundo os seus pecados. Imortais e imperdoáveis.

O Liverpool foi daquelas muito poucas equipas que inovaram no futebol. Criaram novos movimentos, assumiram novas posturas, avançaram com novas sistemas tácticos. E ganharam muita coisa e sempre bem. Convido-vos a ver um jogo que invariavelmente passa no ESPN, o Liverpool com os Spurs, de 78 ou 79. Estes tinham uma equipa muito jeitosa. Os outros fazem-me lembrar uma frase do Nastase relativamente ao Borg, quando este estava no auge: "Eu sou um excelente jogador de ténis. O Borg joga outra coisa". E o Liverpool, aquela que jogou contra a equipa muito jeitosa dos Spurs, jogava outra coisa.

Uma das cenas mais deliciosas desse jogo é a cara dos defesas dos Spurs quando vêem as diagonais do Heighway, por exemplo. É que foi esse Liverpool que as inventou. Ou o Dalglish a organizar jogo e depois a aparecer na área. É que foi esse Liverpool que instituiu o apoio do ponta de lança. Ou o McDermot ou o Souness, dois jogadores absolutamente fantásticos, a recuperar bolas na defesa, a passar, com qualquer pé, para qualquer lado, a aparecer na área e a marcar. É que foi o Liverpool que inventou os box-to-box.

Uma equipa com esta história não pode ter uma espécie de Paulo Bento, só que muitissimo melhor remunerado e com um barbeiro um bocadinho mais empenhado, como treinador. Não pode. Este Liverpool é uma piscina de maus fígados, a ver pela cara dos pobres Gerard e El Nino, dois jogadores ao nível dos velhos tempos mas com a motivação da Inês de Medeiros em pagar viagens de avião.
O Benitez transformou uma equipa que eu sempre aplaudi, mesmo quando nos goleou, numa equipa patética. E isto, apesar de termos ganho, e bem, deixou-me triste, irritado e com vontade de vandalizar o El Corte Inglés.

SLB, 2 - equipadevermelhosediadanacidadedeliverpool, 1

1.4.10

Só faltam três jogos

Domingos ficou inconsolável. Ele, que fez tudo o que pode para anular o Benfica. Apesar de colocar o Rodriguez e o Rentería em campo e ver o árbitro perdoar-lhe um penalty (que vale um ponto), Luisão marcou um golo limpo não anulado, algo inesperado e que lhe arruinou a estratégia.

"Oh Porto!", terá pensado, "por esta não estava à espera."

Não temos por hábito ter jogos do título contra o Sp.Braga, e no Benfica a tradição deve ser o que era. Por isso, o jogo do título será contra o Demo. Parece-me apropriado que o festejo do título tenha lugar no antro viscoso e enxofrado. Faz parte das atribuições da equipa do Bem purificar os ares deste país.


Bem, certo será que Bruto Alves, o Gladiador dos Infernos, tentará deixar a sua marca em jogadores gloriosos. Tal como outros energúmenos deixam marcas em monumentos da Humanidade (Pirâmide de Khufu: Tó Manel ama Cátia Andreia 1998; Templo das Inscrições, Palenque: Esta merda até é catita mas a Torre dos Clérigos é mais airosa"), Bruto, também ele, quererá deixar a sua assinatura, feita a alumínio, nas pernas de Saviola, Aimar ou Di Maria.

Marcas de Guerra, bálsamos para a final de Hamburgo.

Benfica, 1 - Braga, 0

29.3.10

O Benfica à Benfica ganhou ao Porto à Porto

Durante a final da Taça da Liga estava em terra estrangeira. E passei regularmente pela RTP Internacional tomando crescente consciência de que i) o jogo não ia mesmo ser transmitido nem sequer uma porcaria de um resumo e ii) Portugal é o Cazaquistão, o que se comprova facilmente pelo incrível número de homens com valentes bigodaças e idosas com dentição francamente incompleta que por lá passam e pelos cenários repletos de plantas e jarras.

Não vi o jogo, portanto. Mas baseando-me nuns relatos que me fizeram - de gente idónea, porque benfiquista, mas parcial, porque benfiquista - tenho a dizer que o Benfica jogou à Benfica e o Porto à Porto. Quer isto dizer que o SLB jogou com garra (mesmo que qb) e o Porto com os pitons. Era mesmo o jogo para o Porto demonstrar que ainda podia jogar à Porto e ganhar. Só que o jogar à Porto passa essencialmente por pé certeiro na perna alheia e árbitro distraído. E como a distracção é bastante menor hoje em dia, o pé tem que bater mais na bola, o que é uma chatice.

Serviu este jogo para demonstrar que um Benfica à Benfica é melhor do que um Porto à Porto, e não só nos planos moral, desportivo e de entretenimento, mas também no plano do resultado.
E isto, meus amigos, representa uma vitoria do futebol. Até os adeptos do porto deveriam estar satisfeitos.

SLB, 3 - porto, 0

23.3.10

22.3.10

Ubíquo


O Benfica, o verdadeiro, tem de ser quase ubíquo. E de uma ubiquidade exemplar. Taça da Liga, Euroliga, Campeonato, e Taça. Distraiu-se aqui. Para o ano melhoraremos, tal como de um jogo contra o Marselha para outro. Não há cá deitar culpas para outros. Enfrentamos os nossos erros e melhoramos.


Outros acham que o truque é vender jogadores, comprar outros semelhantes, acossar ilegalmente os adversários no campo e controlar uns certos e determinados indivíduos fora dele, para que as coisas funcionem. A equipa não domina, a culpa é dos árbitros que não nos favorecem; a equipa não tem fio de jogo, a culpa é do Jesualdo e não da venda de jogadores chave, sem que os árbitros estejam devidamente assegurados; somos esmagados na Champions, a culpa é da temperatura e dos jogos em catadupa; o Hulk é suspenso, a culpa é do assistente que o provocou; perdemos a taça da liga, a culpa é de ser no Algarve; partimos vidros nos autocarros dos outros, a culpa é dos motoristas que colocaram as viaturas não à frente da baliza mas na rota de intercepção das bonitas trajectórias elípticas de pedras da calçada lançadas ao acaso. São satélites, Senhor. São satélites.


Nós melhoramos, e crescemos. Não ganhamos tudo, mas procuramos ganhar tudo.

A jogar futebol. Que é como deveria ser sempre.


Nacional, 0 – Benfica, 1

13.3.10

A mão de Mantorras

Deschamps foi um daqueles jogadores franceses baixinhos muito irritantes, na senda do Giresse. Juntar francês com irritante é redundância, eu sei, mas já o baixinho puxa pelo advérbio antes do adjectivo.

Mas era bom. Aliás, o mais irritantes nos irritantes franceses é que os tipos são bons em muita coisa, como fazer comida, criar gajas e jogar futebol. O Deschamps não me parece ser gajo que saiba estrelar um ovo e não tem focinho que permita descendência bela, mas era bom jogador e é bom treinador, facto que não será certamente alheio à sua passagem, como jogador e treinador, pelo Calcio.


E foi assim um bocado chato, para mim, apanhar com o Marselha do Deschamps. Isto porque, depois de ter largado um post de assumpção do Jesus (o Jorge) como meu Senhor, eis que o anão gaulês lhe dá um banho táctico. E um banho de imersão, ainda por cima.

Não vou aqui dissecar tecnicamente sobre o banho porque não só não me pagam para isto, como ainda estou a tentar que o meu cérebro me impeça de lançar uma petição pública para reeleger o Santana Lopes como Primeiro Ministro e está a ser difícil.

Vou só aqui expressar duas coisas:
- a primeira é que o Santana Lopes é o maior e que a vida devia ser um longo congresso do PSD ( desculpem, está mesmo a ser difícil evitar isto).
a verdadeira primeira é que o Di, lá está, ainda tem, a não ser que vá para o Manchester certo, um futuro de relativa banalidade, intercalada com uns lampejos de arte, concedo;
a segunda é que o Deschamps vai jogar lá como cá.

Daí que, como o Vata está velho, apelo ao Senhor Jesus (o Jorge) que convoque o Mantorras, porque vamos precisar de um factor algo para o sobrenatural para passar esta eliminatória.
E viva o PPD/PSD.

SLB, 1 - Marselha, 1

8.3.10

O Muro e o Móveis

Entre o pobre cliché de pedras derrubadas e madeiras erguidas, o Benfica acaba com ideias feitas e faz-nos regressar para onde os nossos anti nos mandam frequentemente, para a RTP-Memória. É que esta forma categórica de vencer parece ter saído daí, daqueles Benfica-Farense de 1992 que passam quintas à tarde. Curiosamente, também é para aí que os adversários do Benfica querem que os seus jogos sejam esquecidos, ainda que com cores mais vivas e em Alta Definição.

É bem verdade que, desde que cheguei à idade adulta (na qual me encontro, ainda hoje, apenas tecnicamente), que as vitórias têm sido injustamente escassas na terra do Bem. Porém, não necessito de nenhum familiar de genes matusalescos para me recordar das vitórias pífias da minha agremiação desportiva. Vencedores de oito campeonatos nos últimos cinquenta e dois anos, os Bettencoures têm no quarto, como poster mais recente, o Anastácio do Leão da Estrela, essa bela obra de ficção que conta histórias de um zbortém vitorioso.

Nada como um exemplo próximo (física, e espiritualmente; pois não nos esqueçamos que o zbortém foi fundado por ex-membros trapaceiros do clube do Bem) para nos pormos à coca e evitar erros alheios. A nossa provação, como é, já tem sido demais.

Não queremos glórias da década de quarenta como heróis (os que temos da de sessenta são super-heróis, maiores do que o mundo e o tempo, tal como o conhecemos). Queremos que este ano seja apenas o início; o início de um longo período em que o pêndulo do tempo pende para o lado do Bem.

Aí chegado, há que cortar-lhe o fio.

Benfica, 7 - Os Outros (Hertha/Paços), 1



2.3.10

E eles levantaram-se e andaram

Converti-me. Questionei, duvidei, resisti mas vi a luz. Jesus é o meu profeta.

Para além de ser um treinador que assume a táctica como algo flexível e determinante e que domina o futebolês (mesmo espancando dramaticamente a gramática) em absoluto, Jesus tem aquela qualidade que distingue os treinadores com sorte dos treinadores com arte: melhora os jogadores.

É uma qualidade rara e pouco notada, se não pouco apreciada, e que se sustenta em adorar futebol e, consequentemente, em adorar bons jogadores.

Por exemplo, Paulo Bento nunca será um grande treinador. Porque detesta bons jogadores e apenas suporta jogadores domesticados. Por isso, queimou jogadores de estimável potencial, como Vucevic, Veloso e até Moutinho, porque não teve, e não tem, arte para os melhorar, refugiando-se num papel de professor primário que não é capaz de incutir na sua aula o mínimo gosto por aprender, limitando-se a impingir meia dúzia de lições a decorar, encostando os alunos que torcem o nariz a um canto, com orelhas de burro.
Grandes treinadores transformam pedras em pão. Mourinho agarrou em jogadores com bilhetes só de ida para a banalidade e transformou-os, nem que fosse apenas em alguns momentos, em bons, grandes ou mesmo excepcionais jogadores. Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Maniche, Joe Cole, Drogba, são alguns desses. Eriksson, anos antes, fez isso com Stromberg, Carlos Manuel ou o fdp.

E Jesus, em apenas alguns meses, já o fez, com, por exemplo, Coentrão, David Luiz, Di Maria e até o Saviola.

Fazer isto, repito, implica gostar muito de futebol e de bons jogadores. E há muitos, muitos anos que não gostávamos tanto dos nossos jogadores e do nosso futebol.
E isto é mérito, em absoluto, do nosso profeta.

Amén.

Leixões, 0 - SLB, 4



22.2.10

As inovações do Demo B


Nunca em futebol se tinha visto uma lebre. Parece, aliás, uma impossibilidade. Porém, o SC Braga, vulgo FC Demo B, está a conseguir instituir esse fenómeno no futebol português. Põem uma boa equipa a jogar, a casa-mãe dá-lhes todo o apoio, até um certo ponto (explica-lhes como se pratica a trapaça, a viscosidade e se queima enxofre para dar cheirinho), e depois, na altura certa, com um bom trabalho sujo já feito, manda que travem um bocadinho. E o lacaio trava.


Entre as jogadas coordenadas nos túneis, os comunicados dizendo que o Benfica estava a ser beneficiado porque lhe aplicavam os regulamentos, ou que o preparador-físico do Benfica estava a subornar um seu jogador com uma mala Louis Vitton, tudo é um meio para Saruman servir o seu senhor Sauron.


Sem disfarçar, aparecem no jogo entre eles sem grande vontade de ganhar (eu já tinha avisado: Imagino a tensão dos jogadores numa equipa do Domingos não há Paciência que se arrisquem a jogar bem contra o fóculporto … ). O treinador, “inexplicavelmente”, põe no banco o seu melhor marcador (Meyong), e substituí um central mais rotinado (Leone, também no banco) por Paulão, que fez assim o seu segundo (!) jogo na temporada. Afasta o principal perigo atacante para o Demo, e destabiliza a sua defesa, escancarando os portões ao “adversário”. Como prova da sua eficiente auto-sabotagem, sofre 5 golos num só jogo, quando, nos anteriores 19 jogos, tinha sofrido apenas 8 golos. Touché!


Querem apostar que, contra o Benfica, jogam o Meyong e o Leone…?

A vã glória de (ainda não) ganhar habitualmente

Já passou o tempo de benficar. Não nos afastemos, porém, de hábitos germânicos, saudavelmente constrangedores e repressores para os demais. Façamos do futebol "...a game for 22 people that run around, play the ball, and one referee who makes a slew of mistakes, and in the end Benfica always wins", porque nisso estamos ainda a falhar. Verdade, verdadinha, é que o mínimo que se pede é uma vitoriazinha contra o último classificado da Alemanha.


Dizem que a Liga Europa não é prioridade, mas, c'o Diabo, quero ver o Marselha por cá. Ainda para mais, estas conversas de que a época é longa e o catano já cheira a demasiadas desculpas. O nosso campeonato é pequeno e não tem a exigência dos de outras paragens.


A vitória é um bom hábito, daqueles que gosta de se manter, e que nunca nos deve fartar.


Quando estamos numa casa em que as vitórias se resumiam a vagas memórias não a devemos dar por adquiridas. Confesso que a recente ausência de um certo drive para vencer já apoquenta. Este instinto tão benfiquista e nobre (passe a redundância) de respeitar os outros e querer dar-lhes uma oportunidade, molesta. Isto é marcar o golo do Setúbal (Vitória, perdão) e do Herta, isto é falhar penalties no último minuto, eu sei lá. Já me dão calafrios. Como algumas cenas de certos filmes, em que estamos mesmo a ver que aquilo não vai acabar bem.


Vá lá, deixem-se de merdas. Que tenham abaixamentos de forma ainda é como o outro, mas marcar os golos dos adversários já é demais.



Hertha, 1 - Benfica, 1