Equipas de pescadores são sempre complicadas (ou não fossem delas originários os Andrés e Paulinhos Santos desta vida), jogam de anzóis e redes em punho e nenhuma presa é demasiado pequena para eles.

Equipas de pescadores são sempre complicadas (ou não fossem delas originários os Andrés e Paulinhos Santos desta vida), jogam de anzóis e redes em punho e nenhuma presa é demasiado pequena para eles.

Junto ao Colombo, jaz todos os dias um homem estátua. Depois desta partida, desconfio seriamente de que por detrás daquela pintura está Lito Vidigal.
O treinador da UDL manteve-se impávido e sereno, completamente alheado do que acontecia em campo. A União assemelhou-se a um passageiro de um avião em queda livre, que apenas põe o cinto de segurança para cumprir procedimentos. Mudaram mais de estratégia alguns espectadores que a própria equipa do Lis, ao mudar de assento devido às pingas da irredutível chuva. Nem mesmo quando o guarda-redes ficou fisicamente diminuído o treinador esboçou uma reacção.
O público parecia presenciar uma sessão cinematográfica, de uma película já várias vezes vista e de final sobejamente conhecido. Os adeptos do Quim gabavam as suas acções, mesmo quando o esférico saía direccionado ao outro lado da linha do equador; os detractores de Di Maria coçavam o couro cabeludo a cada acção do 20. Enfim, os tiques costumeiros. E alguns tiques novos também. Pareceu-me que o Éder Luís terá que arregaçar as mangas para, no início do próximo defeso, garantir o interesse do Freamunde no seu empréstimo.
No fim de contas, quem acabou por apresentar um twist na história foi o próprio SLB. Quando todo o mundo aguardava uma chuva de golos, após o tento madrugador, a equipa manteve-se apenas em ralenti. Qual Carlos Sainz, cumprindo o rally da Finlândia de triciclo, sabendo que no fim chegará sempre primeiro.
Atente-se que, na Luz, 3 golos sem resposta já não valem como “chuva”. São, quando muito, um ligeiro aguaceiro. Derivado a tal calmaria, houve quem propusesse a infusão de um chá, aquando de uma próxima ida à Catedral, para deleitar quem calmamente digere uma partida assim.
Por mim, tudo bem. Somente uma condição: não me peçam para ficar a asir o bule, porque, com os espasmos nervosos provocados pelo 20, a louça correria perigo de vida.
SLB, 3 – UDL, 0
Graça, postado por Cosme
Juizes de Fora, acicatados per forças demoníacas, tentaram recuperar tempos non muy distantes, tempos de odores pestilentos e muy grandes ladroages. Hoy una pequena ladroage fue vista en los sagrados espaços de la catedral, pero la força del bem, de artes mayores, fez perder tales portucalenses propósitos.








O ano acaba, o ano começa, e vitórias merecidas pingam de forma regular, de forma mais fácil com equipas demoníacas, de forma mais árdua contra equipas sérias. Andamos com a cabeça no ar entre entradas e potenciais saídas, mas, apesar de um ou outro erro de casting, tudo parece encaixar-se num plano estruturado. A estratégia já não é abandonada em virtude de decisões tácticas de curto prazo, e, quase sempre, de curta eficácia. Por exemplo, muito se fala do dinheiro que o Benfica gastou nos últimos anos, mas, possivelmente, as vendas de Di Maria e do David Luís compensarão todos esses gastos.
Adiante, quero esta sensação de vitória comum se mantenha por muito tempo, esta sensação de que quando as coisas correm bem podemos dar espectáculo e ganhar por 4 ou 5, mas que quando correm mal ganhamos por 1. Há coisas aborrecidas que não aborrecem.
Ah, e que os adversários já temem mesmo vir jogar à Luz. Hoje em dia fala-se da Catedral da Luz, ou da Catedral do consumo do Colombo. As grandes catedrais, neste tempo secularizado, são ainda a referência simbólica de muitos. Daqui a uns anos, as grandes estações espaciais, as sofisticadas cidades submarinas deverão ser conhecidas como o Estádio da Luz do espaço, ou o Estádio da Luz dos mares.
É o mínimo.
Benfica, 1 - Nacional, 0
Fomos para um jogo europeus descontraídos, jogámos com uma segunda equipa, confiantes, e ganhámos tranquilamente, com naturalidade. Era a feijões, mas posso habituar-me a isto.
A ver o Di Maria fazer coisas boas é que nunca me habituarei. Porque não é possível. Ele afinfa-lhes dois secos, manda uma à barra, e, depois, ante-assiste o golo do AEK. Estamos sempre com o coração nas mãos.
(Letra de €40M?)
Mas é bom é que vá marcando golos destes na Europa. Que siga o instinto. O problema é quando ele tenta pensar. É que ele não sabe pensar, portanto, apenas pensa que pensa, por isso, quando tenta, pensa mal.
Se Di Maria fosse piloto eu confiaria nele (e no seu instinto) para conduzir no Mónaco, mas nunca nas suas capacidades de estacionamento na Calçada do Duque. Demasiadas fórmulas e variáveis, o grau de inclinação da subida, o ângulo de entrada da traseira, a chuva que molha os paralelepípedos, o Joaquim torneiro mecânico que apita, o arrumador que diz para destroçar, o pé direito que só serve para andar, aquilo era coisa para a desgraça.
Não penses, filho, age, age para o Estádio Cidade de Manchester, eles lá gostam de pessoas como tu.
Benfica, 2 - AEK, 1