15.6.09

O candidato que o OSP apoiaria












"O Hotel Altis, em Lisboa foi o local escolhido por Guerra Madaleno, para apresentar oficialmente o Manifesto Eleitoral da sua Lista de candidatura à presidência do Sport Lisboa e Benfica. Durante a conferência de imprensa desta quarta-feira, o mais recente candidato ao lugar de Manuel Vilarinho prometeu um investimento de 75 milhões de euros, tendo em vista o reforço da equipa principal do clube, com cinco jogadores de renome internacional. O candidato não quis adiantar nomes mas adiantou já existirem negociações com jogadores para colmatar as carências do plantel «encarnado», com base nas ideias expressas pelo actual treinador José António Camacho.

«Já estamos em negociações com jogadores, que poderão vir já em Janeiro para reforçar a equipa. Temos tido em atenção o que o treinador tem pedido como reforços e, por isso, acho que vamos acertar nas contratações», afirmou Guerra Madaleno, que recorde-se, no último acto eleitoral viu a sua candidatura ser recusada pelo clube, pelo facto de não estar conforme os estatutos do clube.

«O investimento imediato vai ser de 75 milhões de euros, mas é nossa intenção aumentá-lo. Para além de mim, outras pessoas e entidades vão investir no clube», adiantou Madaleno, que ao mesmo tempo, deu a conhecer que é sua intensão sanear o clube financeiramente e permitir um reforço das equipas de hóquei em patins, basquetebol e andebol e o relançamento do ciclismo."



2003.10.01 via Serbenfiquista.com


Um assim tipo Bossio


Morfologicamente Yoann Pelé é muito parecido com Andújar. Com 1,96 metros, o gaulês até é dois centímetros mais alto que o sul-americano, correspondendo assim ao perfil desejado: um guardião que impressione pela estampa física.


31.5.09

Pois se o Nadal perdeu em Roland Garros

No último jogo do SLB, excelentes indicações de Filipe Bastos e, até, de Balboa. Afinal, Quique tem contrato apenas de uma época, porque, até agora, foi apenas a pré-época. Uma longa, muito longa, pré-época, com experiências até à ultima.



Já defendi por aqui a permanência de Quique, e mantenho essa defesa, embora não tenha gostado nada daquele tímido "chin up". Se Quique quer imitar o Mourinho, tem que começar por investir num bom sobretudo e nunca, nunca mesmo, ocupar o banco com um fato de treino. 
Mas enfim, sempre foi um ano a trabalhar em frente ao Colombo, e há exemplos que se apanham.

Na próxima época teremos Jesus, e um novo bode expiatório. Corrijo: como se trata de Jesus, teremos um bode "respiratório".

Uma das coisas que esta época me ensinou, é que a racionalização não traz alegrias a ninguém. Portanto, a próxima época vai ser só confiança, independentemente dos sinais.
Que diabo, se o Nadal perdeu em Roland Garros, porque raio é que o SLB não pode voltar a ser campeão?



19.5.09

Para ganhar

O mundo mudou, massas de água se abriram, alienígenas nos visitaram e o Quique deu lições de táctica ao Jesus. Os que vituperavam o espanhol louvam-no agora. Bastou o oportunismo do avançado que o treinador pôs a jogar contrariado, e um deslize do Eduardo, para o Quique ser quase bestial e o Jesus quase besta. A consistência dos nossos cronistas desportivos parece a da gelatina durante um sismo chinês.

Eu continuo satisfeito com a possível troca. No passado recente, o slb não tem gostado muito de treinadores portugueses. Sempre virado para o mundo, "entugou-se", passou a louvar o que vem de fora em detrimento do que se encontra por cá. É certo que a experiência do homem-vassoura nos traumatizou, e que se de fora veio Skovdahl também veio Eriksson. No entanto, fazer do estrangeiro a panaceia dos nossos males não resultou nada bem; nem o jogo cauteloso como sinal de um conhecimento pragmático, oposto à vontade de jogar para ganhar. Este brilhante pragmatismo táctico deu-nos um título em 15 anos. Ao nível do Boavista. Ser benfiquista é querer ver a equipa jogar para ganhar em todos os campos portugueses.

É só isso que peço.

Braga, 1 - Benfica, 3

13.5.09

O truque é ignorar a dor

Eu, pecador, me confesso: fui do FCP. Por um par de meses apenas, mas fui. Lá por 78 ou 79, influenciado por um vizinho mais velho e ofuscado por dois títulos seguidos, entreguei a minha pueril alma ao demónio. O meu pai, num gesto que nunca deixarei de lhe agradecer, fez-me ver a luz: eu queria uma bola, e o meu pai recusou. Porque bolas, disse ele, eram só para meninos do SLB.



O SLB era, de facto, a luz, neste país cinzento, neste "meu remorso de todos nós". Ao contrário do que muita gente apontava, o SLB era o clube menos português de Portugal. Este era provinciano, pessimista, invejoso, segregador, dependente. O SLB era universal, ambicioso, trabalhador, liberal. Enquanto, em terras africanas, se tentava calar os indígenas, no SLB punha-se uma braçadeira de capitão num negro. Quando os portugueses estendiam a mão, esmolando, a um parolo de Santa Comba Dão, os benfiquistas arregaçavam mangas e construíam um estádio.

Sim, o SLB não era como Portugal. Era como nós gostaríamos que Portugal fosse.


O SLB aportuguesou-se. Os dirigentes do SLB passaram a vender ilusões, como políticos, e os benfiquistas passaram a desejá-las, como eleitores. O defeso passou a ser uma campanha eleitoral, e Aimar, Reyes e Suazo, o TGV e os 150 000 empregos.


Esta época já tinha acabado. Logo após o primeiro jogo com o Trofense. Estes dois últimos jogos não merecem sequer um comentário, porque foram apenas dois sinais aproveitados pelo herdeiro oportunista para desligar a máquina.

Mas foi uma época diferente das anteriores. Foi a época de Rui Costa, o símbolo do SLB iluminado, o exemplo do homem com humildade ambiciosa, o herdeiro da linhagem real de Cosme Damião, Francisco Ferreira, José Aguas e por aí fora.


Mas, afinal, foi um ministro sem pasta. Mais do que também vender ilusões, foi ele próprio uma delas.


O SLB que o meu pai me apresentou "is no more". E, neste contexto, como é que se consegue aguentar ser benfiquista? Só me consigo lembrar do Lawrence da Arábia: "O truque", dizia ele, enquanto apagava um fósforo com a ponta dos dedos, "é ignorar a dor."




Nacional, 3 - SLB, 1

SLB 2, - Trofense, 2


1.5.09

Lesão benfazeja


Somos fruto de um acaso, perdemos e vencemos de acordo com as decisões impostas ao Quique. Se esse leva a sua avante temos um centro-americano aos tombos numa ilha vermelha num mar adversário. Perde-se. Pode ser que se empate. A preguiça e a bela estampa física são recompensadas.


Se, por outro lado, a fortuna (para nós) o atira para uma maca, a exclusão de partes obriga Quique a colocar em jogo alguém que realmente marque golos.


É desnecessário afirmar aqui que Sá Pinto é bafejado com um pouco de admiração benfiquista (quase toda esbanjada numa certa tarde no Mosteiro dos Jerónimos), mas se a fortuna (sempre ela) não o tivesse atirado para o mesmo leito do Suazo, ainda que não necessariamente ao mesmo tempo (para pena do Sá Pinto), em 2000 o nosso eterno-defesa-central-Humberto colocá-lo-ia a jogar, em detrimento de Nuno Gomes, condenando, assim, Portugal a ser eliminado logo na primeira fase. Seguramente, não daríamos início à tradição de eliminar os nossos mais antigos aliados sempre que a fortuna (a marota) os traz às nossas bandas.


Sugiro que o próximo treinador do Benfica seja aquele tipo que parte o braço ao guarda-redes do Fuga para a Vitória.


“Olha, anda cá para eu te partir a rótula e pôr o melhor jogador em campo”


Benfica, 3 - Marítimo, 2

26.4.09

Porreiro para o OSP, pá

Se os conhecidos do OSP lhe têm demasiado respei… lhe têm demasiado medo para serem absolutamente sinceros com o OSP, já os amigos do OSP lhe perguntam amiúde por que é que o OSP, não tendo assim jeito por aí além para jogar à bola (a despeito de ter um brio, uma capacidade de luta e um espírito de sacrifício do tamanho do perímetro de cintura do José Carlos Malato, tudo qualidades intangíveis que, como é óbvio, mais do que compensam a incapacidade do OSP para passar pela maioria dos adversários, não importa o quão imóveis), acha sempre que sabe melhor do que ninguém o que mais convém à equipa de futebol do SLB. A resposta do OSP, diga-se, é invariavelmente “sim”.


É que a realidade é mesmo essa: o OSP sabe melhor do que ninguém o que mais convém à equipa de futebol do SLB, pois reflectiu e reflecte sobre qual é de facto a índole do futebol do SLB melhor do que qualquer thinktank benfiquista, mesmo que aparecesse um composto pelo António Manuel Ribeiro, o Gaspar Ramos, o Manuel Damásio, o Bruno Carvalho e a epiglote do João Malheiro, todos eles eminentes pensadores do clube, sem qualquer dúvida. O OSP arriscaria mesmo dizer que, neste particular, só se genuflecteria perante um thinktank que incluísse o Toni e o Rui Costa, no caso do primeiro por razões nostálgicas e de gratidão afectiva (se bem que, antes de genuflectir, o OSP tivesse de clarificar ao Toni o que quer dizer “thinktank”), no do segundo porque, se o Rui Costa assim o desejasse, o OSP dar-lhe-ia autorização para passar a ser ele a administrar toda a vida privada do OSP, do preenchimento do modelo 3 do IRS aos contactos telefónicos com o serviço de internet da ZON Multimédia, passando pela satisfação parcial dos deveres conjugais do OSP. O Rui merece tudo.


Ele sabe muito bem, afinal, o que é o SLB, porque, conhecendo-o por dentro como poucos, esteve mais de uma década a estudá-lo de fora, a vê-lo de outras perspectivas, pelo que o OSP só espera que os benfiquistas continuem a ser a sua muralha de aço, independentemente do falhanço que esta época vai ser. Do que o OSP tem certeza é que o Rui Costa vai aprender com os erros que cometeu este ano, mesmo não sendo ele o maior responsável por tudo o que de mau aconteceu. Ao escrever isto, o OSP está convenientemente a ignorar a escolha do Quique Flores, da responsabilidade do Rui Costa, mas, como ele, também o OSP foi iludido pela facúndia e pelo charme gitano do Quique e pela combinação calvície foucaultiana-brinco na orelha esquerda-credibilidade científico-desportiva do treinador do SLB, o Pako Ayestarán. Logo, o Rui tem desculpa.


Já o facto de o OSP não ter assim jeito por aí além para jogar à bola não quer dizer que não saiba o que é o melhor para a equipa de futebol do SLB. O João Pinto também não percebe muito de língua portuguesa e não é por isso que deixa de a usar todos os fins-de-semana no Domingo Desportivo. (O OSP promete ainda investigar a fundo quem é o escritor-fantasma responsável pelas crónicas do João Pinto em O Jogo, pois a dificuldade que ele revela em usar a estrutura SVO na televisão não é perceptível aquando da leitura da sua palavra escrita.) Mas isso não é tudo: ao ouvi-lo, bem como quando ouve muitos outros dos chamados “homens do futebol”, o OSP pensa também por vezes que ter jogado bem à bola pode muito bem valer zero na hora de pensar sobre bola.


Tudo isto é válido, naturalmente, para o Quique, antigo lateral-direito do Real Madrid que teve de chegar quase ao fim da época e de ver o seu avançado preferido lesionar-se com gravidade para perceber que, em Portugal, quando se é treinador do SLB, jogar em 4-4-2 resulta na maior parte das vezes. E atenção que o “2” significa mesmo dois gajos lá à frente, bem destacadinhos, e não um ponta-de-lança e um “falso ponta-de-lança”, essa cruz do futebol português. É por causa de coisas como esta que o OSP fica muitas vezes com a impressão de que percebe mais de bola do que muitos dos tais homens do futebol, neste caso do que um treinador que, a cinco jornadas do fim do campeonato, consegue ter a sua equipa (na qual há, é preciso notá-lo, goste-se ou não deles, jogadores como o Luisão, o Katsouranis, o Reyes, o Aimar, o Di María, o Suazo e o Cardozo) a quatro pontos de uma equipa que levou 12-1 nos oitavos-de-final de uma competição europeia.



Os homens do futebol dizem muitas vezes que o tempo dos dois avançados já terminou, que um sistema que os inclua não é moderno que chegue, que está longe da sofisticação do maquinal 4-2-3-1 do Mourinho, que já não passa de uma reminiscência de um passado romântico, mas o OSP mantém que, em Portugal, adoptá-lo na maioria do tempo é ainda e sempre a melhor opção. Ao fim e ao cabo, e tomando o jogo com o Setúbal como exemplo, vale sempre a pena lembrar que 80% dos jogos internos do SLB são com equipas como o Setúbal, se bem que, na maior parte das vezes, com jogadores mais bem-nutridos do que os do Setúbal. No campeonato, e o OSP deixa isto à consideração do Rui Costa, devia haver um regulamento interno que proibisse um treinador do SLB de ir jogar à Trofa em 4-2-3-1. E por favor não venham falar ao OSP dessa treta do “hoje em dia não há jogos fáceis”.


Por outro lado, jogar com dois avançados é quase uma obrigação de qualquer treinador que queira ser parte da tradição do SLB, pois não só traz resultados, como demonstra preocupação em honrar o passado do clube: José Torres-Eusébio, Artur Jorge-Vítor Baptista, Filipovic-Nené, Magnusson-Rui Águas ou Hassan-Marcelo são nomes de integrantes de duplas de ataque que qualquer benfiquista que se preze deve ter na ponta da língua ao invocar as virtudes do 4-4-2, e o OSP tem-nos. Sempre.


O OSP está ciente, claro, de que a concepção romântica que tem do 4-4-2 está directamente ligada ao facto de, nos anos em que começou a ver futebol, ser norma o SLB jogar com dois avançados. Está ainda ciente de que as visões do que ficou para trás são sempre sedutoras e apelativas, porque a tendência humana, afinal de contas, é olhar para o mundo do passado como sendo mais autêntico e menos complexo, mas continua a achar que, em 1986 como agora, os Setúbais e os Trofenses compõem a maior parte dos adversários do SLB no campeonato, além de o SLB ter sempre, regra geral, melhores jogadores do que essas equipas. É, pois, uma simples questão de números, tão simples que até o OSP a percebe, mesmo sendo um homem das letras.


O OSP pode não ter assim jeito por aí além para jogar à bola, mas isso não o impede de saber que o Balboa não joga um caralho. Do mesmo modo, não precisa de grandes explicações para demonstrar que jogar com dois avançados é eficaz. O jogo com o Setúbal faz isso pelo OSP, já que foi precisamente o facto de o SLB ter jogado com dois avançados que levou a uma vitória tão larga (cada um desses avançados, já agora, marcou dois golos).


Para ser fiel à verdade, O OSP é forçado a admitir, contudo, que a defesa do Setúbal se mostrou escandalosamente inepta, mas o facto é que teve sempre dificuldades em entender-se com dois jogadores do SLB na frente. (O OSP tem certeza absoluta de que tal se ficou a dever à ausência por lesão de uma velha paixão sua, o Zoro: tivesse ele jogado, o Setúbal não precisaria de outro central ao lado dele, pois o Zoro marcaria o Nuno Gomes e o Cardozo em simultâneo e ainda teria tempo para ir à área do SLB criar perigo em cada lance de bola parada que houvesse.) E o melhor exemplo disso é a jogada do 4-0: o Di María cruzou, ficaram três defesas a olhar para o Cardozo, e o Nuno Gomes teve tanto tempo para rematar que até ele teria dificuldade em não marcar. Mesmo assim, demonstrando um toque de bola quase obrigadosápíntico, ainda conseguiu rematar para o meio da baliza, praticamente à figura.


Setúbal, 0 - SLB, 4

20.4.09

Relavit Fósforo

A primavera invadiu Lisboa. E, com ela, não as flores, mas os outdoors, certamente num efeito adicional do aquecimento global. Do cimo do meu volante, dois captaram mais a minha atenção: o primeiro, do Avô Cantigas, anunciando uma mudança radical na sua carreira: depois do "Fantasminha Brincalhão", o "Nós, Europeus". O outro pareceu-me, num rápido olhar, memorabilia do PREC. Mas não, engano meu. Há mesmo alguém que, neste século,
defende - e com voz bem alta - nacionalizações.
É recorrente apontar-se a alergia dos portugueses às ciências exactas. Mas vários indícios, e mesmo provas, apontam para que haja uma alergia maior à História. Não é uma questão de falta de intelecto e no que ele tem de memória, porque há nomes e datas que ficam. Mas ilações, essas, não se tiram. Nós, como povo, não ligamos à nossa curva de experiência. Seguimos uma linha recta, infinita, de contínuas tentativas de invenção de rodas, que saem, persistentemente, tortas ou com os pneus furados.
Obviamente que é em tempos difíceis que há mais tentações para, mais do que esquecimento, revisionismo, fruto do desespero, alimentado pelo oportunismo. Por isso, há uma rua, algures neste país, com o nome de Guterres, Santana Lopes é candidato a um cargo político e, daqui a muito pouco tempo, Fátima Felgueiras constará que interrompeu o seu mandato para passar umas simples férias no Brasil.
E, enquanto mirava o tal outdoor e pensava nisto tudo, deixei-me divagar, ou melhor, refugiar no SLB, que, ainda assim, é um tema bastante menos deprimente do que o país que o acolhe.

No SLB, ignora-se apenas, vá lá, a história recente. Defende-se a estabilidade - "um treinador por três anos, dê lá por onde der" -, mas apenas no início e no final da época. Mas, no final da época, essa estabilidade defende-se, mas já com outro treinador (e, normalmente, também com outros dirigentes). Despreza-se o valor da experiência, a conclusão dos testes.

Defendo a manutenção do Quique. E não por o achar um treinador muito bom - basta, se tiverem paciência, relerem uns quantos posts deste blogue. Defendo a sua manutenção porque, para além de ser tão bom como qualquer outro treinador que o SLB consiga contratar,
está em vantagem. Porque já tem história, há coisas que ele já sabe que um novo vai ter de aprender e, no processo de aprendizagem, vai passar uma época a falhar. Como o Quique nesta época.
É o passado, a tal de História, que nos comprova o valor da estabilidade. Foi essa estabilidade que, numa altura em que o SLB já não tinha Eusébio, nem Coluna, nem mesmo Vítor Martins ou Vítor Baptista, mas sim Moinhos, Nelito, Jorge Gomes ou Paulo Campos, fez com que qualquer treinador, qualquer um, mesmo um Mário Wilson ou um cinzentíssimo Mortimore, se arriscasse a ser campeão. E era.

Mas, se calhar, sobrevalorizo a História, ou, pura e simplesmente, retiro dela ilações erradas, e o que precisamos é de correr com toda a gente: o Vieira, o Rui e o Quique no mesmo pacote. A minha escolha de princípio de estabilidade com o Quique, provavelmente, será uma espécie de roleta-russa. Talvez, com a idade, me tenha tornado reaccionário e incapaz de vislumbrar os novos tempos.

Mas, de facto, não gosto destes tempos novos: não quero voltar a despedir um treinador, não quero que se nacionalizem empresas, não quero o Santana na câmara e muito menos o Guterres como presidente.
Por mim, venha de lá a roleta-russa: na primeira rodada, tenho 5/6 de hipóteses de me safar, e ainda mais uma até aos 50%. É bastante mais do que me parece que teremos com um novo treinador.

13.4.09

Let's sing another song, boys

O próximo teledisco é dedicado a toda a rapaziada que defende o 14.º despedimento de treinador do SLB em 15 anos e, em especial, ao FNV, autor de uma dupla, e simultânea, blasfémia: defende a saída de Rui Costa citando Cohen. Que Eusébio lhe perdoe.

12.4.09

E tomates, tem?

A imprensa despediu o Quique na semana passada, com os desportivos a darem as suas capas ao memorial do espanhol. Nada de novo: há 20 anos que o futebol do SLB é gerido pela imprensa.
Para acabar com isso, é preciso que as referidas capas se encham, para a semana, com o Rui Costa a dizer algo muito simples: o Quique fica, mesmo que acabe em quinto.

Já sabemos que o Rui tens uns pés maravilhosos, um coração de um encarnado enternecedor e um discurso sobrearticulado para o meio. Mas, neste momento, todas essas qualidades são desnecessárias. O que ele precisa de mostrar, agora, é que tem tomates.

11.4.09

O defeso, finalmente

Esta época prometia mais sofrimento do que habitualmente.
Aqueles curtos 4 pontos que nos distanciavam do Porto pairavam, esperançosos, e torturavam-nos. Bastava uma derrota dos portistas e lá estaríamos nós com hipóteses, diria o nosso diabinho, junto da nossa orelha.
Com esta derrota, já podemos descansar e focar-nos naquilo que o futebol tem de mais
excitante: o defeso.

Mas foi pena ter sido neste jogo. A equipa jogou, teve umas 37 oportunidades, se contarmos o golo anulado como uma delas, esforçou-se e fez-nos pensar.
Se recordarmos o principio da época, o problema não era a equipa não jogar (como aconteceu contra o Guimarães e o Estrela), mas sim a loucura atacante. E, como escrevemos por aqui, isso não prometia grandes resultados, mas prometia alegria. E, no jogo de hoje, embora com maior equilíbrio, a equipa voltou a atacar, a ter tipos nas linhas a cruzar e gajos na área para rematar. Porquê? Primeiro, pelo Reyes (embora tenha jogado contra o Guimarães). É o melhor jogador que pisou aquele relvado nos últimos 10 anos, competindo com Simão. Aquele lance, que deu origem a mais uma oportunidade (julgo que a 18.ª), em que ele recebe um charuto na área e, com o peito, mete-a logo encostadinha ao pé, merece, por si só, os tais milhões que dizem que se tem de pagar por ele. O SLB está muito endividado? E então? O que é que o SLB tem menos do que qualquer família portuguesa? Dêem mais uma livrança para o Vieira avalizar e tratem lá de agarrar o espanhol.

Para além do Reyes, não tivemos o Katsouranis. Este rapaz é um dos únicos dois jogadores do SLB de que a imprensa gosta (o outro é o Quim). Dizem, ou melhor, escrevem, que ele está sempre no sítio certo. Ora bem, o que se passa é que o grego está sempre no mesmo sítio, e, nem que seja por uma mera questão de probabilidade, algumas bolas ele há-de cortar (as que batem nele). Mas o que é bom - agarrar na bolinha, correr com ela, fazer uns passes e uns remates - ,tá quieto. Ficamos muito mais bem servidos com o Rúben (apesar do jogo fraquito) e com o Carlos Martins (o meu irmão que me perdoe). São gajos que têm mais do que uma mudança, passam curto e longo e até chutam.
Portanto, se houver aí alguém na disposição de pagar pelo Kats, venha ele, que já dá para parte do Reyes.
Resolvido isso, é pôr o Balboa a titular o resto da época, trocar o Nuno Gomes pelo Aimar (também como no principio da época) e, com uma grande camada de sorte, ainda papamos o 2.º lugar aos lagartos.
Agora, rapaziada benfiquista, deixem-se dessas paneleirices dos lenços brancos. Até vi dois animais num camarote com uma espécie de um lençol. Imaginem a vida destes gajos que, com tanta merda para fazer num sábado à noite, decidem pagar para fazer de Beatriz Costa.
Vamos dar ambiente ao Rui e ao Quique para prepararem a próxima época.

Chegámos ao defeso, meus amigos. Aceitemo-lo e festejemo-lo.

SLB, 0 - Académica, 1

8.4.09

Obviamente, demitimo-los

Quique não conseguiu, com muitos meses de trabalho, pôr o SLB a jogar futebol, com excepção de uma meia dúzia de jogos. Tem de sair, porque não é treinador para o Benfica. Tal como Camacho não o era, mostrando-se incapaz, tanto tacticamente, como na preparação física da equipa. E Fernando Santos também não merecia o cargo, porque fazia a época com apenas 14 jogadores, comprometendo o final da mesma. E Koeman, que mostrou pouca coragem em momentos decisivos, como na segunda mão da Champions, contra o Barcelona.

E Trapattoni, com um futebol defensivo que era indigno dos pergaminhos do Benfica. E Jesualdo, um técnico sem qualidade para um clube (tão) grande. E Toni, um homem humilde de mais para impor respeito. E Mourinho, maniento, arrogante, sem a humildade necessária para liderar uma equipa de um clube tão popular. E Heynckes, que provou que a mentalidade alemã não compreende as especificidades de um clube rodeado de tanta paixão. E Souness, uma demissão natural depois de encher o plantel de britânicos reformados. E Manuel José, com aquela voz aguda, irritante. E Autuori, com aquele discurso pró-filosófico e a sua táctica do pirilau. E Artur Jorge, porque sim. E não pensem em ir buscar o Scolari, porque está viciado no ritmo de seleccionador, não tendo capacidade para gerir a pressão semanal de resultados. Nem o Eriksson, ultrapassado, com insucessos na selecção inglesa, no City e no México. Nem Rijkaard, porque não consegue impor respeito. Muito menos Mancini, que só conseguiu títulos no Inter porque, para além de um plantel fabuloso, não teve concorrência. E nem pensar em Capello, um adepto do antifutebol. O Jorge Jesus? Pelo amor de Eusébio, o homem durava 2 meses na Luz. E o Fergusson, ninguém o perceberia, o Wenger parece o Inspector Clouseau a falar, e o Benítez é impensável, qualquer dia a Catedral parece o El Corte Inglés.
Um neto de Guttman, isso sim, é do que nós precisamos. Mas, enquanto o procuram, deixem lá estar o Quique. Nem que seja para contentamento das nossas mulheres.

7.4.09

E o defeso, que nunca mais chega

Domingo à noite, com tanta coisa para fazer, incluindo fazer nada, e lá seguimos a obrigação, como um menino arrastado pela avó para a igreja, de ver o jogo do SLB.
Os nossos rapazes passaram a semana a trabalhar, enquanto os outros folgaram. Já no domingo, inverteram os papéis: os nossos continuaram em ritmo de treino, mas os outros decidiram trabalhar. Afinal, é para isso que não lhes pagam.

É difícil, mesmo difícil, descrever aquele jogo. Que o SLB de Quique jogava mal, já era um facto consumado e devidamente interiorizado na nossa pobre alma. Mas, ainda assim, há uma diferença, e significativa, entre jogar mal e não jogar.

Jogar futebol implica que os tipos da mesma equipa passem a bola entre eles e façam uns remates. Mesmo na 3.ª divisão inglesa, em que a bola passa mais tempo no ar que a passarada nos tempos de Mao. Mas, no domingo, podia jurar que não houve um único lance em que isso tenha acontecido com aquela malta de encarnado. E isto vai muito para além da fraqueza intrínseca do Quique, do careca e do outro espanhol. Muito para além disso. Não deveria ser preciso um treinador para pôr aquelas cavalgaduras a fazer uma tabelinha, ou a passar a bola para outro gajo com a mesma camisola do que eles, ou a acertar na outra baliza. Há coisas básicas que se vêem em qualquer jogo de solteiros e casados e não vemos nestes gajos que vestem a nossa camisola.
E claro que a vontade é correr com o Quique, o careca e o outro espanhol, mas para quê? Há para ali um problema qualquer, com uma profundidade angustiante, que nos faz quase pensar que o único treinador que poderá pôr o SLB a ganhar é o Professor Karamba.

Eu, por mim, já só espero que o defeso não tarde. Não sei se aguento mais um jogo destes sem ligar para o 800205535.

E.Amadora, 1 SLB, 2

23.3.09

A prostituição intelectual é exercida por intelectuais prostitutas (ou prostitutos)?

Porque é que, quando o Quim faz uma defesa, salva o Benfica, e, quando o Moreira faz uma defesa, faz simplesmente uma defesa?
Porque é que os dois lances em que o Quim entregou o golo a jogadores lagartos foram omitidos de tudo o que é imprensa?
Que raio de poder tem o Quim sobre a imprensa, que até leva jornalistas a escrever que Quique o ostracizou?
Será que o Quim é do PS?
Será que a Senhora Dra. Marta Crawford tem explicação para isto?

22.3.09

Afinal, parece que ganhámos a Liga dos Campeões

A Taça da Liga era irrelevante. Não merecia muito esforço, atrapalhava o calendário do campeonato, não compunha a vitrine de ninguém, não salvava épocas a clube nenhum.
Mas bastou um erro de arbitragem, ainda por cima de um árbitro que os comete frequentemente, contra todo e qualquer clube - aqui e lá fora -, para parecer que tinha acontecido um atentado terrorista ou mais uma chacina numa escola.
Um erro de arbitragem, daqueles que acontecem em toda a santa jornada, e toda a tv se encheu de comoção, revolta, medalhas atiradas para o chão, exigências de desculpas e o catano.

Afinal, esta taça, esta insignificante taça, era a Liga dos Campeões.
Eu não sabia. A sério. Acreditei naquele palavreado todo, na semana passada.
Mas da próxima vez avisem, se fazem favor, dado que dei ao jogo a importância que julgava que ele tinha. Só vi a segunda parte e, confesso, a contragosto, dado que estava ocupado a ver - in loco - o bem mais entusiasmante ADO-Juventude de Viana, em que a minha ADO - a equipa com o equipamento mais bonito do mundo - levou 9 a 5.

SLB, 1 - Sporting, 1 (3-2 em gp)

20.3.09

Medo cénico

Para vencer a Taça da Liga, o Quique poderia apostar no "medo cénico". Para isso, poderia mandar todos os jogadores do SLB colorar de louro o cabelo e ensinar-lhe umas frases básicas em alemão, tipo:


"Moutinho, Ich kenne Kinder unter 5 Jahren höher als Du", ou

"Veloso, Paulo Bento hat eine bessere Friseuse als Du", ou ainda

"Rochemback, dein Ass passt nicht mehr auf dem Platz des Handels".


Enquanto o jogo decorria, os no name cantariam "glorreiche SLB, glorreiche SLB".

Com algum grau de certeza, o SLB aguentaria até aos penalties. E, aí, bastaria o primeiro penalty marcado ser assinalado com um sonoro "Tor", e todos os jogadores do Sporting, com os olhos cravejados de lágrimas, falhariam.


Sim, trata-se de um esquema muito rebuscado e de difícil execução. Mas bastante mais difícil será o Quique conseguir fazer, numa semana, aquilo que não conseguiu em 6 meses: pôr a equipa a jogar à bola.



15.3.09

O Padinha quer o livro de reclamações

Tanto para escrever e tão pouco tempo:


1. O OSP é, propositadamente, um saco de lacunas. Mas isso não quer dizer que não possa haver, aqui e ali, um esforço para as colmatar. Uma delas, tendo em conta que se trata de um blogue sobre o SLB e, por isso, indirectamente sobre futebol, tem a ver com o discurso, ora na primeira pessoa do singular, ora no plural jornalístico. Inspirado por Miguel Veloso, um moço claramente leitor dos livros da Anita, especialmente do "Anita vai ao cabeleireiro", hoje vou escrever, a partir do ponto 2., na terceira pessoa.

2. O Padinha, no post antecedente, atravessou-se num prognóstico. Terá dado azar? Não, certamente que não. O Padinha teve apenas uma fase de superstição, nomeadamente durante o caminho que nos levou, em 89/90, à final de Estugarda. Com o seu irmão, Padinha corria as casas de pasto da Rua dos Soeiros em busca de lombinhos de porco, missão essa bastante mais complicada em Bruxelas e em Estugarda. Ainda assim, esse reforço de colesterol não foi suficiente para contentar os deuses, que entenderam não dar confiança ao Veloso (o António, o outro, o Miguel, estava em casa provavelmente, na casa do Néné - a ler a Anita). E de superstições ficou o Padinha cheio.

3. O Padinha não foi, durante esta semana, inspirado apenas por Miguel Veloso. Foi, também, inspirado pelo benfiquista José Eduardo Martins, que, provavelmente por o ser, sabe bem que um bom e sonoro "Pró caralho" é largado de acordo com o interlocutor, e não com o local. E o tal de Candal visivelmente merece não só a sonora caralhada, como uma boa mochela encostada à testa. Mas a inspiração do deputado Martins acabou por ser indirecta, porque o que interessa para o post de hoje é outra citação de um político, bem imbuída de vernáculo: "Em Portugal, há tanta falta de profissionalismo, que até as putas se vêm." João Soares dixit.


4. O prognóstico não falhou. O Padinha não se baseou em qualquer conjugação astral, nem largou búzios ou cartas, porque tudo o separa da Maya (a começar pelo peito, bastante mais pequeno e peludo, e ainda de origem). O prognóstico assentou no facto de o Vitória, como todas as equipas treinadas por Cajuda, jogar o "jogo pelo jogo".


5. Jogar o "jogo pelo jogo" é a qualidade mais apreciada pela imprensa portuguesa, em qualquer treinador. Pois essa é a característica que irrita mais o Padinha, seja ela do Cajuda ou do Cruyff. Os treinadores não são pagos para porem a sua equipa a dar espectáculo, mas sim para porem as suas equipas a ganhar. O Padinha está-se a borrifar para o espectáculo, até porque detesta o suposto maior espectáculo do mundo, incluindo o Cirque du Soleil, esse filme de ficção científica de série Z com música de elevador. O Padinha quer que o SLB ganhe ou, no mínimo, que se esforce para o conseguir. E um tipo que "jogue o jogo pelo jogo", como Cruyff fez contra o Milan de Capelo, esse extraordinário profissional, está a gozar com quem lhe paga e o apoia. Está a demonstrar uma falta chocante de profissionalismo.


6. Não há nada melhor do que jogar contra uma equipa que "jogue o jogo pelo jogo". São equipas previsíveis e que deixam jogar. E, no passado sábado, foi o jogo em que os jogadores do SLB mais conseguiram ir à linha, apesar de se terem esforçado tanto como uma anémona. E, se tivessem feito uma reanimação cardíaca ao Cardozo procedimento que o Padinha aconselha a todos os 15 minutos que o fizesse esticar uma perna ou simplesmente não fugir da bola, lá teríamos marcado um golo na primeira parte, e lá teríamos o prognóstico do Padinha completamente certo.


7. Se há crítica que esta equipa do SLB não merece é a de "jogar o jogo pelo jogo". De facto, e com particular ênfase no jogo passado, o SLB não jogou o jogo. Ponto. Final. Parágrafo.


8. O Padinha, como já referiu, não quer a sua equipa a jogar o que se entende normalmente por bem. Não quer, de todo. Quer apenas, e o Padinha reforça o apenas, que façam aquilo que milhões de pessoas pagam para fazer diariamente: suar. E, no sábado, especialmente naqueles primeiros 15 minutos da segunda parte, em que os meninos pareciam ter saído de um copo de água, a coisa já foi mais do que medíocre, paupérrima ou qualquer outro adjectivo depreciativo. Foi o zero absoluto, algo que, supostamente, é um preceito teórico, mas que, afinal, acabou por ser demonstrado no Estádio da Luz.


9. O Padinha não conhece em detalhe a legislação aplicável ao Livro de Reclamações. Mas, depois do jogo com o Vitória, acha que o SLB deveria ter um. E o Padinha faz daqui um apelo a todos os benfiquistas: dirijam-se ao Estádio da Luz e peçam o livro de reclamações. Mas deixem que o José Eduardo Martins seja o primeiro a reclamar. Ele escreverá algo que a todos nós, naquele sábado, apeteceu dirigir àquela amálgama de corpos vestidos de encarnado.


Benfica, 0 - Vitória de Guimarães, 1

12.3.09

Por razões a apresentar depois do jogo...

... o jogo com o Guimarães vai ser o mais fácil da época.

9.3.09

Encabulado

A esperança de ver o Benfica jogar um pouquinho à bola há muito que se esvaiu. É constrangedor ver a nossa equipa a jogar (?!). Tempos houve em que jornalistas PRECianos andavam por terras deste Portugal humilhando o povo com a intenção de o educar ou de o forçar a tal (parece que uns contemporâneos ainda o fazem, mas já sem a parte da educação).


Sempre com esse nobre objectivo em vista, perguntavam à mais Bolhoa das varinas o que achava dos empréstimos de capital do FMI ao estado português. Capital, as senhoras só conheciam Lisboa (e não tinham a certeza), e FMI era peixe que não vendiam. Ninguém ganhava com essas rábulas, e mesmo eu, espectador incauto, porque precoce, mudava constrangido de canal (inevitavelmente para o segundo), fisicamente indisposto com a humilhação pública de uma pessoa com idade para ser minha avó. Passados todos estes anos, sinto o mesmo quando vejo o Benfica Quiqueano a jogar. Pelo menos a senhora não tinha bem noção da vergonha que a faziam passar.



Naval, 1 - Benfica, 2

8.3.09

E tu, Quique, percebeste?

Os adeptos mais exigentes que já encontrei foram os do Benfica. Os tipos eram completamente loucos.
Graeme Souness

Mandam as regras de boa gestão que um novo gestor comece por conhecer onde, com quem e para quem vai gerir.
Os treinadores que têm passado pelo SLB têm ignorado essa regra.
Camacho, o menos intelectualmente dotado de todos os treinadores com que o OSP teve de lidar (e, sim, incluindo Mário Wilson e Chalana), despachava o descontentamento dos adeptos, esses tipos completamente loucos, como nos apelidou Souness, com uma frase simplista: “Eles julgam que este é o Benfica de Eusébio.” Ora, Camacho não só desconhecia que nunca houve um Benfica de Eusébio, como desconhecia de todo quem foi Eusébio.
Este tema merece toda uma outra profundidade. Mas, por agora, digamos apenas que o SLB sempre foi um clube de esforço, sempre mais em força do que em jeito, com vitórias suportadas em suor, com uma ou outra pincelada de arte.
É bom lembrar que a dimensão europeia que o SLB alcançou na década de 60 começou antes de Eusébio, com a vitória sobre o Barcelona. E mesmo a resposta – suada, muito suada – ao poderio inegável do Real Madrid, no eterno jogo dos 5-3, foi dada, antes do pianista moçambicano, por um carregador de piano de seu nome Cavém.
É óbvio que, sem Eusébio, é muito difícil de imaginar que o SLB conseguisse, depois disso, marcar presença em mais 3 finais. Mas Eusébio era uma peça completamente SLBiana, com um brilhantismo que começava pelo seu esforço e dedicação, antes das suas correrias e remates decisivos.
O que ficou então desses tempos? Não uma limitada e impossível exigência de resultados, muito menos de réplicas da arte de Eusébio da Silva Ferreira, mas sim, como desde a fundação do SLB, a exigência de esforço.

Os completamente loucos adeptos do SLB estiveram ao lado da equipa que Toni levou a Estugarda, e também da que Koeman, há pouco tempo, levou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. E apoiámos Tuebas e Edmundos, e até, com grandíssimo esforço, Betos, moços com uma aptidão futebolística similar à de um mamute, porque suaram aquelas belas camisolas até esgotarem a ultima caloria do seu corpo.

Por tudo isto, aqueles últimos 20 minutos do SLB contra o Leixões foram, aos nossos olhos, dignos do SLB. O Aimar como trinco, o Nuno Gomes a fechar a esquerda, os defesas com pelo na venta e olhar guerreiro, tudo junto num pacote que se tornou o melhor momento – so far – da época.
Quique congratulou-se por os adeptos terem percebido o que estava em causa. Esteve quase lá. Os adeptos, Quique, gostam muito de ver os gajos que envergam as nossas camisolas a suarem as estopinhas para ganharem um jogo.

Agora, Quique, apesar de, passados todos estes meses, não conseguires pôr a equipa a jogar futebol, vê lá se percebes que o que nós queremos é que, pelo menos, ponhas os teus meninos, regularmente, a suar. E, se tu perceberes isto, também nós nos congratularemos.

SLB – 2, Leixões - 1